Um golpe de efeito
A presidente Claudia Sheinbaum apresentou o “Boxe pela Paz”, um novo programa que, em teoria, mata dois coelhos com uma cajadada só. Por um lado, procura incorporar 100 mil meninas, meninos e jovens ao desporto. Por outro lado, emprega 5 mil combatentes.
“É um apoio aos jovens, é totalmente gratuito e o objetivo é incorporar os jovens a este desporto”, disse Sheinbaum.
A mecânica é simples: boxeadores profissionais serão integrados ao Juventude Construindo o Futuro. Eles receberão um salário de 9.582 pesos por mês com a previdência social do IMSS. Em troca, eles darão aulas gratuitas de uma hora.
O momento perfeito
As inscrições estarão abertas até 28 de fevereiro. As aulas começarão em 2 de março. Um calendário que curiosamente coincide com o início do ano eleitoral.
O secretário Carlos Torres Rosas enquadrou-o no eixo “Atenção às Causas”. A ideia oficial é dar acesso ao direito à educação física e afastar os jovens das “drogas ou de um grupo criminoso”.
Mauricio Sulaimán, presidente do Conselho Mundial de Boxe, não poupou elogios. Ele o descreveu como um programa “sem precedentes no mundo”. Boxeadores como Marilyn Badillo e David Picasso Romero ficaram gratos pela oportunidade de “salvar vidas” e fazer parte do futuro de milhares de pessoas.
O evento não faltou luvas comemorativas ao presidente nem a presença de figuras como Isaac “El Pitbull” Cruz. Um completo espetáculo midiático para vender a ideia de que o boxe une as famílias e busca a paz.
A mesma velha questão permanece: trata-se de uma política pública genuína ou de outro exercício de relações públicas com fundos públicos? O anel está pronto. Veremos quem descobre.




