A promessa de fevereiro
Claudia Sheinbaum disse isso claramente no Palácio Nacional: a reforma eleitoral chegará antes do final do mês. “Na próxima semana iremos apresentá-lo”, insistiu esta terça-feira. Seu tom era o de quem tem um ás na manga que todo mundo espera, mas ninguém viu.
O curioso é o que ele repetia como mantra: “não é mandar reforma por mandar reforma”. Uma frase que soa como uma defesa inicial. Como se soubesse que a receberíamos com merecido ceticismo.
O que sabemos (e o que não sabemos)
Dos poucos detalhes que divulgou, dois pareciam familiares: redução do financiamento dos partidos e redução dos custos eleitorais. “O México tem as eleições mais caras do mundo”, declarou. Um facto incontestável que serve de cavalo de Tróia para mudanças mais profundas.
Ele também falou sobre a modificação das listas de vários membros. Que não sejam escolhidos pela “liderança”, mas pelos “próprios partidos”. Um jogo semântico fino como o fio de uma navalha. Realmente muda alguma coisa quem decide dentro do aparelho?
O resto era névoa. Reconhecer os eleitores no exterior, aumentar a “democracia participativa”. Belos conceitos que na boca de outros presidentes significaram tudo e nada.
“Na próxima semana, na próxima semana eles vão descobrir”
Essa foi sua resposta quando questionado se já tinha o rascunho ou se faria modificações. Um final perfeito para uma conferência cheia de anúncios mas vazia de conteúdos concretos.
A questão que permanece flutuando, mais pesada que qualquer afirmação: apresentarão apenas os pontos populares para economizar tempo, enquanto cozinham algo mais substancial nos bastidores? A história recente sugere que sim.
Temos que esperar. Mais uma semana neste México onde as reformas eleitorais nunca são apenas eleições.




