Entre promessas de segurança e malas prontas: o combo de Natal de Sheinbaum
Parece que o espírito natalício já chegou ao Palácio Nacional e, com ele, a vontade de um merecido (ou, pelo menos, muito anunciado) descanso. Enquanto os mortais comuns quebram a cabeça pensando em presentes de última hora, a presidente Claudia Sheinbaum tinha outros planos para compartilhar: uma escapadela à praia. Mas antes de começar a imaginar fotos idílicas com guarda-chuva e coco, você teve que lidar com as habituais perguntas incômodas sobre a situação de segurança em Guerrero. Porque, claro, nada diz “paz e amor” como ter que garantir operações no meio de uma feira.
Diante dos jornalistas, que certamente já sentiram o cheiro da manchete, o presidente garantiu que o governo federal estaria “atento” para apoiar o município de Chilpancingo e a sua Feira de Natal e Ano Novo. Um acontecimento que, segundo rumores públicos, foi um constante sim-não-sim, como aquele amigo que está indeciso na escolha de um restaurante. “Finalmente foi tomada a decisão de fazê-lo”, disse ele com a calma de quem já tem o voo reservado. O apoio, explicou, seria principalmente por meio do governo estadual, mas com aquela promessa vaga e reconfortante de “reforçar qualquer necessidade”. Ou seja, o clássico “estamos aqui para o que for oferecido”, mas dito com a autoridade de quem segura o microfone.
O equilíbrio entre quilômetros e dias de praia
Numa reviravolta que ninguém pediu mas que todos recebemos, Sheinbaum anunciou que apresentará em breve um relatório exaustivo das suas digressões anuais: quilómetros, municípios visitados, inaugurações… basicamente, o Wrapped da presidência, mas sem a playlist do Spotify. “Amanhã vou contar-vos o número de quilómetros que percorremos este ano”, prometeu, esperando talvez aplausos pela quantidade de combustível gasto. Tudo isto, ao mesmo tempo que fazia saber que, se necessário, voltaria a visitar a região. Um pequeno detalhe antes de mencionar o verdadeiro item da sua agenda: três dias livres em Acapulco.
Ali, entre perguntas sobre operações de vigilância, ele lançou a bomba com a naturalidade de quem comenta o tempo. “Vou tirar férias para Acapulco, três dias”, declarou. Os dias? 25, 26 e 27 de dezembro. Quando um repórter, fazendo seu trabalho, perguntou se ele passaria o Natal ali, sua resposta foi magistral: “Sim, estava pensando nas férias”. Um clima totalmente identificável, na verdade. Todos nós nos desconectamos no meio de uma reunião importante pensando na praia. A diferença é que ela pode dizer isso em rede nacional e cancelar as coletivas de imprensa.
Tal como está, a Sala da Fazenda permanecerá em silêncio nos dias 25 e 26, e também nos dias 1 e 2 de janeiro, porque “vamos dar férias à fonte jornalística”. Um gesto atencioso, ou talvez a estratégia perfeita para evitar perguntas embaraçosas de ressaca. Enquanto isso, a Feira de Chilpancingo, que celebra o bicentenário da cidade, continuará seu curso com um dispositivo de segurança que esperamos seja tão eficaz quanto o plano de descanso do presidente.
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