Santander, o ‘Robin Hood’ das comissões (mas apenas internacionais)
Em uma medida que sem dúvida fará seus departamentos de taxas e comissões chorarem de emoção (ou talvez de desespero), o Banco Santander México anunciou grandiosamente que, a partir de agora, seus clientes poderão fazer transferências internacionais a partir do conforto de seu aplicativo móvel sem ter que pagar a modesta quantia de US$ 15 pelo privilégio. Sim, você leu certo. Zero. Nada. Você pode imaginar? Um banco, voluntariamente, abrindo mão de uma fonte de renda. O mundo está claramente virando de cabeça para baixo.
Com este golpe de mestre de relações públicas – desculpe, quero dizer, com esta “visão estratégica de negócios” – a instituição financeira proclama-se o primeiro banco do país a oferecer este benefício deslumbrante. Quase se pode ouvir o som de pombos sendo soltos na sede enquanto os executivos dão tapinhas nas costas uns dos outros. A taxa de US$ 15, aquela pequena taxa sobre o desespero ou a simples necessidade de enviar dinheiro para um familiar ou para fazer um pagamento no exterior, foi oficialmente enviada para o baú das memórias. Liberando, segundo seus cálculos, milhões de dólares por ano para seus clientes. É uma pena que eles não especifiquem quantos milhões embolsaram antes por esse mesmo conceito.
Paraíso Forex, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana (com alguns truques na manga)
Para que não haja dúvidas da sua magnanimidade, a instituição detalha que este serviço estará disponível 24 horas por dia, sete dias por semana. Porque que melhor hora para enviar coroa sueca para Estocolmo do que às 3 da manhã de uma quarta-feira? A operação abrange sete moedas: dólar americano, euro, libra esterlina, franco suíço, coroa sueca, iene japonês e dólar canadense. Notavelmente ausentes estão o peso cubano ou o bitcoin, mas suponho que também haja limites na caridade bancária.
Eles também afirmam que não há valor mínimo de transação nem limite de transação. Quer enviar um único dólar para o Canadá? Avançar. Cem operações em um dia? Alegrar! O processo, dizem-nos, é realizado em três etapas simples. O que não esclarecem é se o terceiro passo envolve cruzar os dedos e rezar para que o câmbio aplicado não seja tão vantajoso para o banco que, no final, esses 15 dólares que você economizou através de comissão acabe pagando – e com juros – na flutuação cambial. Mas ei, é um detalhe. O importante é que seja gratuito, certo?
O chefe da área cambial, Gerardo Vargas Sandoval, pronunciou aquela que é provavelmente a frase mais ensaiada de sua carreira: “Demos um passo estratégico… em claro reconhecimento do ambiente cada vez mais global”. Tradução: percebemos que cobrar por algo que outros poderiam eventualmente oferecer de graça não era uma boa ideia no longo prazo, e que melhor maneira de fazer isso do que fazê-lo primeiro e obter o máximo de publicidade possível.
As letras miúdas que não são tão pequenas (e as remessas que ficam de fora da festa)
Para acessar esse elísio de transações gratuitas, clientes sortudos — ou seja, aqueles que já possuem uma conta com eles — não precisam de procedimentos adicionais. O benefício é automático. Basta inserir os dados do beneficiário (tarefa que, sejamos sinceros, sempre tem potencial para se transformar em um drama de proporções épicas se você esquecer um dígito), escolher o valor e confirmar. Claro, se a remessa for em dólares para os Estados Unidos, esteja preparado para procurar o número da transferência eletrônica, aquele código que todos memorizaram junto com o número do cartão de crédito.
E aí vem o asterisco, o “mas” neste conto de fadas financeiro. O Santander, num momento de clareza, enfatiza fortemente que se trata exclusivamente de operações entre contas. E o que isso significa? Bem, isso não se aplica a remessas de dinheiro, também conhecidas como remessas. Ah, claro. Por um momento pensámos que a bondade bancária se tinha estendido a um dos sectores que mais paga para movimentar o seu dinheiro. Bobo nós. A generosidade tem seus limites e, aparentemente, eles terminam onde começa o dinheiro das famílias que dependem dessa renda. É um ato de nobreza, mas seletivo. Para quem manda dinheiro para a conta do filho que estuda na Europa, bom; Para quem diz à mãe que precisa pagar a conta de luz em dinheiro, aplica-se a comissão habitual. A solidariedade, como o champanhe, é para alguns bolsos.
Resumindo, é uma notícia positiva, sem dúvida. Qualquer alívio no constante esgotamento das taxas bancárias é bem-vindo. Mas não pudemos deixar de notar a deliciosa ironia de um banco anunciar com alarde que deixou de nos cobrar alguma coisa, como se nos estivesse a fazer um favor monumental em vez de simplesmente ajustar – talvez tardiamente – o seu modelo ao que deveria ser a norma num mundo digital. É como se o seu senhorio anunciasse com grande alarde que, a partir de hoje, você não precisará mais pagar a mais para usar o elevador. Obrigado! E o vazamento no banheiro? Isso, amigos, é outra história e outra comissão.
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