Um objetivo tão ambicioso quanto recorrente
Parece que na Universidade Nacional há um decreto anual que exige que todo novo gestor pronuncie a palavra “título” em seu primeiro discurso. Antonio Sancho, recentemente empossado na vice-presidência esportiva do Pumas, não foi exceção. Ele chegou, viu e declarou seu único propósito: vencer o campeonato mexicano de futebol. Que original! Quase se pode ouvir o eco de promessas idênticas feitas pelos seus antecessores nas vitrines vazias do clube.
Seu plano mestre para esse feito, que escapou da equipe durante anos, é tão revolucionário quanto apoiar o treinador que já está lá. Sim, decidiu apoiar o projeto de Efraín Juárez. A razão? Segundo Sancho, o estrategista “já tem base”. Uma base que, falando com clareza, teve mais altos e baixos do que altos e baixos. Mas o mais comovente é que Toño garante que Efraín tem a mesma vontade que ele de erguer o troféu. Nossa, duas pessoas do mesmo clube querendo vencer. Essa é uma estratégia inovadora!
Fé, contrato e um toque de nostalgia
“Estou convencido que ele é o nosso treinador, tem contrato, é jovem, conhece perfeitamente a instituição”, destacou Sancho, enumerando virtudes que, no mundo frio dos resultados, soam tão reconfortantes quanto irrelevantes. Você conhece a instituição, sim. Mas você conhece a fórmula para vencer jogos de forma consistente? Isso parece ser um pequeno detalhe. O vice-presidente ainda acrescentou: “Acho que ele é o primeiro que quer ganhar títulos aqui”. Uma afirmação que, sem dúvida, deve ter causado profunda desilusão ao resto do plantel, que aparentemente só joga pelo suor da camisola.
Então veio o argumento da estrela para pedir paciência: Efraín Juárez está na equipe há apenas nove meses. Um processo, dizem eles. Claro, porque no futebol moderno, onde os treinadores duram tanto quanto um sorvete ao sol, nove meses é uma eternidade. “É preciso apoiá-lo, ele chegou há um torneio e meio e [mal] tem uma pré-temporada trabalhando com a equipe”, destacou Sancho. A sua missão, diz-nos, é dar à comissão técnica as melhores ferramentas para construir uma equipa competitiva. Em outras palavras, faça seu trabalho básico como vice-presidente. Que conceito novo!
Reconhecimento da gestão… bem-sucedida?
Numa virada que mistura otimismo com um toque de surrealismo, Sancho valorizou a curta carreira de Juárez. Lembrou que o treinador se preparou no estrangeiro e “ganhou um campeonato no estrangeiro, o que não é fácil [porque] no futebol ganha um e já o conseguiu”. Um argumento impecável: como ele venceu uma vez em outro lugar, é quase uma lei da física que ele deva vencer aqui. Lógica pura.
Mas mesmo o otimismo confiável de Sancho tem limites. Nas entrelinhas, ele admitiu o que todos veem: os Pumas precisam “se reforçar com algumas peças importantes”. Tradução: o elenco atual, com todos os fundamentos e esperanças, não é suficiente. Ao final, encerrou com a manchete: “Efra é nosso treinador e temos que dar tudo em frente para tentar conquistar o título”. Uma frase que já faz parte do mobiliário da CU, tão recorrente quanto as falhas defensivas nos minutos finais.
Em resumo, o discurso de Sancho é um clássico: fé no projeto existente, apelo à identidade e à paciência e promessa de reforços que estão sempre ao virar da esquina. O tempo dirá se desta vez o roteiro muda ou se estamos simplesmente vendo o primeiro capítulo de uma história que os fãs já sabem de cor.
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