As figuras épicas que não chegam às ruas
O México acaba de assinar o seu melhor ano em exportações. Um número para enquadrar: 664 mil 837 milhões de dólares vendidos ao mundo em 2025. O dado, confirmado pelo Conselho Empresarial Mexicano de Comércio Exterior (Comce), marca um crescimento de 7,6%.
A narrativa oficial seria celebrar um poder comercial consolidado. Mas aí vem a primeira reviravolta na história.
“Este dinamismo do comércio exterior deve traduzir-se num maior crescimento económico interno”, alertou Sergio E. Contreras Pérez, presidente da Comce.
E você está certo em levantar o alerta. Porque enquanto as vendas externas ultrapassavam os tetos, a economia interna mal respirava. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu escassos 0,39% no mesmo ano.
A grande desconexão
Aqui está o drama central. Exportamos mais de 1,26 milhão de dólares por minuto, somos o principal parceiro dos Estados Unidos, mas essa riqueza não permeia.
A razão? Uma dependência estrutural. Setores estrela como automotivo e eletrônico importam grande parte de seus insumos. O dinheiro entra, mas sai rapidamente para pagar componentes feitos lá fora.
O efeito multiplicador é diluído. Não existe uma cadeia produtiva sólida com empresas locais.
Contreras disse-o claramente: é uma prioridade integrar mais fornecedores nacionais e PME nas cadeias globais. Sem isso, o registro é apenas um número num pedaço de papel, e não uma riqueza no bolso.
O caminho indicado é claro: avançar para sectores como o aeroespacial, os dispositivos médicos ou a maquinaria especializada, onde mais valor e emprego podem ser gerados aqui mesmo.
A peça tem um primeiro ato brilhante com figuras históricas. Mas o público – a economia real – espera que o resto do espectáculo cumpra a promessa.




