Crise agrícola em Oaxaca após a passagem do furacão Erick
Produtores e agricultores da costa de Oaxaca decidiram fechar completamente a rodovia federal 200, que liga a Guerrero, depois de não conseguirem chegar a um acordo com o governo do estado. A medida surge como um protesto contra a ajuda insuficiente recebida depois que o furacão Erick de categoria 3 devastou mais de 6.500 hectares de plantações em 19 de junho. Os afetados exigem a presença da Presidente Claudia Sheinbaum para avaliar a magnitude dos danos.
Frustração devido a créditos insustentáveis e suporte limitado
Durante uma sessão de trabalho no dia 14 de agosto, os produtores rejeitaram a proposta do governo de acesso ao crédito com condições inatingíveis. “Não podemos pagar seguro de vida nem juros quando perdemos tudo”, declarou um dos agricultores. Além disso, criticaram o facto de o apoio ter sido reduzido ao fornecimento de alimentos e fertilizantes, inúteis sem terras aráveis. Joel Silva, afetado por Santa María Huazolotitlán, disse: “Para que servem os insumos se não há colheita?”
Víctor López Leyva, chefe da Secretaria de Desenvolvimento Agroalimentar (Sefader), reconheceu a gravidade das perdas nas culturas de mamão, banana, limão e coco. No entanto, até agora, apenas 365 pacotes agrícolas foram distribuídos em 10 municípios, sem clareza sobre a sua atribuição. Os agricultores destacam que, após o furacão John, em novembro, conseguiram se recuperar parcialmente, mas Erick os deixou “no zero”.
Protesto e vulnerabilidade das comunidades afro-mexicanas
O bloqueio na Rodovia 200, entre Pinotepa Nacional e Tututepec, reflete o desespero de comunidades historicamente marginalizadas. Muitas das áreas afetadas são populações afro-mexicanas, reconhecidas constitucionalmente em 2020. Segundo o INEGI, Oaxaca abriga 4,7% desta população a nível nacional. “Somos nós que alimentamos o país, mas eles nos ignoram”, disse um manifestante.
Os produtores insistem que sua luta não é política, mas de sobrevivência: “Não queremos conflitos, mas sem uma resposta firme não temos alternativa”. Enquanto isso, o governo do estado não detalhou os termos do crédito prometido, que exigiria a cobertura de 90% de um seguro de 300 mil pesos, um fardo impossível para quem perdeu tudo.
O que vem a seguir? A pressão social aumenta à medida que a temporada de furacões continua. A reativação económica da Costa depende de ações concretas e não de promessas.
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