O grande debate do “órgão colegiado”: Democracia ou desculpa para não decidir?
Ah, política mexicana. Aquele lugar onde as discussões técnicas se transformam em batalhas épicas dignas de uma novela. Desta vez, os senadores Morena e o diretor da Agência de Transformação Digital, José Merino, resolveram nos entreter com sua mais recente divergência: a criação de um colegiado na reforma da lei de telecomunicações. Porque, claro, que melhor maneira de resolver um problema do que adicionando mais burocracia?
A reunião que ninguém pediu, mas que todos precisavam
Segundo fontes “muito confiáveis” (leia-se: alguém que estava de passagem), Merino sentou-se com os senadores para explicar por que um grupo de cinco pessoas indicadas pelo Executivo e aprovadas pelo Senado era a solução mágica para regular o setor. Seu argumento? Que sem esse órgão colegiado as vozes das emissoras comunitárias e indígenas seriam esquecidas. Porque, obviamente, cinco conselheiros são mais inclusivos do que… bem, qualquer outra coisa.
Os senadores, num acesso de lucidez (ou talvez de cansaço), salientaram que os órgãos colegiais geralmente acabam sendo clubes de amigos onde ninguém é responsável por nada. Mas Merino, destemido, defendeu a sua ideia como se esta fosse o último bastião da democracia digital. “Sem adesão não há diversidade!” ele deve ter pensado enquanto ignorava a história de tais corpos no México.
E a Agência de Transformação Digital?
Caso alguém tenha esquecido, este órgão colegiado estaria sob a proteção da Agência de Transformação Digital, aquela entidade que já nos entusiasmou com seu plano de bloqueio de plataformas digitais (antes, felizmente, de eliminarem o polêmico artigo 109). Conflito de interesses? Não, provavelmente é apenas uma coincidência.
Enquanto isso, o Senado continua a organizar as suas “conversas” (um termo chique para “longas reuniões onde ninguém concorda”) e promete ter uma decisão pronta em meados de junho. Porque, como todos sabemos, as leis aprovadas em períodos extraordinários são sempre impecáveis.
Moral: Se você não consegue resolver um problema, crie um comitê. Se o comitê não funcionar, crie outro comitê para supervisionar o primeiro. É assim que funciona a magia da política.
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