Milei viaja para Washington: a reaproximação com Trump e a sombra da China
O presidente argentino, Javier Milei, embarca nesta quarta-feira uma viagem importante aos Estados Unidos. A sua agenda está focada numa série de reuniões com Donald Trump, numa altura em que a Casa Branca procura estreitar os laços com os líderes regionais. O objetivo claro: neutralizar a influência chinesa na América Latina.
O que Milei realmente procura com esta visita? A primeira reunião será na quinta-feira em Washington, no âmbito do Conselho de Paz promovido por Trump. Esta iniciativa visa intervir em conflitos internacionais, incluindo a guerra no Médio Oriente.
Argentina e Paraguai são os únicos países latino-americanos convidados para esta reunião. No dia 7 de março, Milei também participará de uma cúpula em Miami com outros presidentes e líderes alinhados à agenda dos EUA.
Com estas reuniões, Milei igualará as sete que Trump teve com Benjamin Netanyahu. Ele se tornará assim o presidente argentino com mais viagens aos Estados Unidos na história recente, totalizando 15 visitas.
A viagem reforça o alinhamento político de Milei com Washington. Mas aqui está o facto que faz barulho: isto contrasta brutalmente com a centralidade da China como principal parceiro comercial da Argentina.
A China continua a ser fundamental para as exportações argentinas de soja, carne bovina e lítio, e mantém investimentos em setores estratégicos como energia, lítio e carros elétricos.
Isto é, estamos perante uma mudança geopolítica clássica. Por um lado, o abraço político de Washington. Por outro lado, uma dependência económica tangível de Pequim. A questão que fica é simples: até que ponto essa corda pode ser esticada sem quebrar?
A história regional está repleta de exemplos em que o fervor ideológico colidiu com a realidade dos números comerciais. Resta saber se esta abordagem a Trump é uma foto para a galeria ou o início de uma verdadeira reconfiguração de alianças. Por enquanto, os dados dizem que a China paga as contas.




