Validação internacional para uma estratégia inovadora
A histórica fábrica Moscamed, localizada em Metapa de Domínguez, Chiapas, foi validada pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) como centro estratégico para a produção de moscas estéreis destinadas ao combate à bicheira pecuária (GBG). Esta decisão marca um marco na luta contra uma das pragas mais devastadoras para a indústria pecuária na América. O Governo do México destacou que a infraestrutura, em funcionamento desde 1979, conta com equipamentos especializados, incluindo um irradiador recarregável, o que facilitará sua adaptação à nova função.
Investimento e colaboração transnacional
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou um investimento de 21 milhões de dólares para modernizar a fábrica, com o objetivo de produzir 100 milhões de insetos estéreis semanalmente. A visita de especialistas internacionais, incluindo Frédéric Poudevigne da FAO e representantes da Organização Internacional de Energia Atómica (AIEA), sublinha a urgência de analisar o rápido avanço do GBG da América Central para o México em menos de dois anos. Foi proposto avaliar cepas selvagens mais eficazes se a atual mostrar sinais de inadaptabilidade.
A técnica de liberação de machos estéreis, testada contra a mosca do Mediterrâneo nesta mesma planta, reduz a reprodução da praga ao cruzar exemplares inférteis com fêmeas selvagens. No entanto, o encerramento temporário das fronteiras dos EUA à pecuária mexicana – em vigor desde 11 de maio – reflete a gravidade do problema e a necessidade de soluções imediatas.
Contexto histórico e desafios futuros
Fundada em 1979, a Moscamed atuou durante quatro décadas na esterilização de moscas-das-frutas, demonstrando a viabilidade desse método. A sua reconversão para o GBG enfrenta desafios como a selecção de estirpes ideais e a coordenação com os países afectados. O Brasil, representado por Jorge Caetano Junior, participa ativamente do projeto, evidenciando o alcance regional da iniciativa.
De acordo com o Secretário de Agricultura e Desenvolvimento Rural (Sader), esta abordagem não só protege a produção pecuária – que contribui com 1,7% do PIB nacional – mas também evita perdas de milhões de dólares devido às quarentenas. O USDA reavaliará a restrição às importações a cada 30 dias, pressionando o México para demonstrar resultados tangíveis.
Impacto econômico e científico
A praga GBG, nativa do Caribe, afeta bovinos, suínos e até humanos, com larvas que devoram tecidos vivos. Seu controle por meio da esterilização reduz o uso de agrotóxicos, alinhando-se às metas de sustentabilidade. Os 21 milhões de dólares investidos pelos EUA refletem a confiança nesta tecnologia, embora os especialistas insistam em monitorizar a sua eficácia a longo prazo.
Tem interesse em aprender mais sobre inovações agrícolas? Compartilhe este artigo e descubra como a ciência transforma o combate às pragas. #Agricultura Sustentável#Inovação




