Luis Fernando Camacho sai da prisão depois de quase três anos

Depois de quase três anos atrás das grades, o líder da oposição muda sua cela para prisão domiciliar, numa virada judicial que reativa o cenário político.

Da cela para casa: a reviravolta política da semana

Parece que na Bolívia o drama político tem mais reviravoltas na trama do que uma temporada de Stranger Things. Na sexta-feira, o governador suspenso de Santa Cruz e líder da oposição, Luis Fernando Camacho, decidiu que estava farto da estética carcerária e deixou a prisão após uma detenção preventiva de quase três anos. Sim, você leu certo: três anos. O que para alguns é a época de um diploma universitário, para ele foi um mestrado intensivo na vida atrás das grades.

O Supremo Tribunal de Justiça teve seu momento de lucidez esta semana e determinou a revogação de sua prisão para trocá-la por uma versão mais leve: prisão domiciliar com direito ao trabalho. Basicamente, eles disseram a ele: “Você pode sair, mas não fique muito animado”. Assim, o homem que se tornou o rosto da oposição ao governo de Luis Arce e ao MAS, trocou o uniforme listrado pelo conforto de sua casa em Santa Cruz, região que não é apenas o motor econômico do país, mas também o epicentro da resistência.

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Uma saída digna de um final de temporada

Ao sair do presídio de Chonchocoro, perto de La Paz, Camacho não perdeu tempo. Ele abraçou os policiais (porque o que é uma ironia entre amigos?), caminhou com a faixa de governador no peito e uma bandeira verde e branca de Santa Cruz, como se estivesse desfilando em sua própria estreia. Em seguida, ele entrou em um carro e se dirigiu ao aeroporto, onde um voo particular o esperava para levá-lo de volta à sua terra natal. Seus seguidores, entusiasmados como fãs em um show, já preparavam uma recepção festiva nas ruas da cidade.

Mas as melhores foram as suas declarações, porque o que seria de um político sem um bom discurso? Citando Nelson Mandela, Camacho deixou cair pérolas como: “Na prisão você se descobre, analisa os erros que cometeu e valoriza melhor as pessoas”. E acrescentou: “Nunca me ajoelhei e sempre disse que sairia pela porta da frente, nunca negociando minha liberdade. Não pude ver meu filho crescer, mas foi meu compromisso com Deus e com minha família”. Depois, como se estivesse num especial da Netflix, concluiu: “O melhor vingador é Deus, não tenho ódio nem ressentimento, a prisão fortaleceu minhas convicções. Não vou fugir do país”.

O contexto: porque nada é simples na política boliviana

Camacho, 46 anos, enfrenta julgamentos por suposta sedição por liderar os protestos de 2019 que terminaram com a renúncia de Evo Morales. Naquele ano, acusações de fraude eleitoral acenderam o estopim de um conflito que deixou pelo menos 37 mortos e mudou os rumos do país. Mas, como se não bastasse, ele também enfrenta outro julgamento por liderar protestos durante 36 dias contra o governo Arce, exigindo um novo censo populacional. Vamos lá, o cara não fica entediado.

E a distribuição desta novela política não termina aqui. A Suprema Corte também ordenou a revogação da prisão preventiva da ex-presidente interina Jeanine Áñez e do líder cívico Marco Antonio Pumari, porque aparentemente os prazos legais são mais flexíveis do que o iogurte vencido. Os três são acusados ​​no mesmo caso dos protestos de 2019, mas a liberdade de Áñez demorará mais, já que a justiça deverá resolver vários processos contra ela, inclusive um por suposto genocídio.

A ex-presidente passou quatro anos e cinco meses numa prisão comum em La Paz, condenada a 10 anos por “quebra de deveres” durante a sessão parlamentar em que assumiu o poder após a renúncia de Morales. Sua defesa alega que ele precisa de uma “revisão extraordinária da sentença” para que seu caso seja julgado como um julgamento de responsabilidade, algo reservado a ex-presidentes. Entretanto, o Ministério Público insiste que o seu mandato foi “ilegal” e produto de um “golpe de Estado”.

Organizações como a Amnistia Internacional e a OEA criticaram estes processos, salientando que são motivados politicamente e que o devido processo não foi respeitado. Vamos lá, o mundo também está assistindo a esse drama.

Tudo isto ocorre depois das eleições de 17 de agosto, que marcaram uma viragem política com a derrota do Movimento de Esquerda ao Socialismo (MAS) após quase 20 anos no poder. Parece que os bolivianos decidiram que era hora de mudar o roteiro.

O que vem a seguir? Camacho retomará suas funções em Santa Cruz, Áñez aguardará sua possível liberdade e a política boliviana continuará fornecendo material para mais capítulos desta série que ninguém quer perder. E nós, aqui, com pipoca nas mãos.

Você está intrigado com o desenrolar deste novo capítulo? Compartilhe esta história em suas redes e explore mais conteúdos sobre as viradas políticas mais quentes na América Latina. Porque, sejamos honestos, a realidade é sempre mais estranha que a ficção.

Papagaio sobrevive 9 dias sob escombros na Venezuela

Um papagaio foi resgatado vivo depois de passar nove dias sob os escombros em La Guaira.

O resgate

Um papagaio foi encontrado vivo nove dias depois dos terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que abalaram a Venezuela em 24 de junho. A ave foi localizada sob os escombros de um prédio em La Guaira, no departamento número 8, identificado como Opp033. Os Bombeiros do Estado de Miranda conseguiram ajudá-lo.

O vídeo do resgate se tornou viral. Ao ser retirado dos escombros, o papagaio recebeu água e os socorristas o chamaram de “Panchito”. “Meu filho, você sobreviveu”, ouve-se um dos bombeiros dizendo enquanto o pássaro bebe desesperadamente, segundo imagens compartilhadas pela equipe.

Contexto da tragédia

Os números oficiais até à data reportam mais de 2.200 mortes, 11.000 feridos e quase 50.000 desaparecidos, segundo a ONU. O papagaio foi o único sobrevivente daquele departamento, o que gerou comoção nas redes sociais.

A equipe de resgate decidiu rebatizá-lo de “Panchito” após recebê-lo do lado de fora. O caso se soma às histórias de sobrevivência que surgiram após os terremotos na região.

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Terremotos na Venezuela: crise humanitária e luta política

Os terremotos na Venezuela desencadearam crises políticas e humanitárias à medida que o mandato interino de Delcy Rodríguez expira.

Os consecutivos terremotos que abalaram a Venezuela em 24 de junho deixaram pelo menos 2.645 mortos e mais de 12.500 feridos, segundo dados oficiais. A catástrofe colocou à prova a presidente interina, Delcy Rodríguez, cujo mandato interino termina esta sexta-feira. Enquanto defende a resposta do seu governo, a líder da oposição exilada María Corina Machado – vencedora do Prémio Nobel da Paz – procura regressar ao país para pressionar por uma transição democrática.

Resposta do governo e tensões políticas

Na sua primeira conferência de imprensa após os terramotos, Rodríguez atribuiu as críticas aos “meios de comunicação preparados em laboratórios” e afirmou que as equipas de resgate foram mobilizadas imediatamente. No entanto, os moradores relataram que durante as primeiras 48 horas não houve apoio oficial nem maquinário pesado. O governo afirma ter enviado milhares de equipes de resgate e 11 hospitais de campanha internacionais, e aprovado um fundo de reconstrução.

Machado, do Panamá, afirmou que a resposta do governo mostrava “a total ausência do Estado” e apelou à confiança em lideranças alternativas. Seu partido criou um banco de dados com 36 mil pessoas desaparecidas e mobilizou voluntários para arrecadar doações. Machado foi proibido de concorrer em 2024, quando Nicolás Maduro reivindicou vitória, embora as contagens da oposição mostrem que Edmundo González, seu candidato, venceu por mais de 2 a 1.

Os Estados Unidos apoiam Rodríguez desde a captura de Maduro em Janeiro, elogiando as suas reformas no sector petrolífero. Duas autoridades norte-americanas, falando sob condição de anonimato, disseram à Associated Press que Washington desencorajou Machado de regressar após os terramotos, temendo que ele liderasse protestos. Rodríguez fechou o tráfego aéreo comercial para Caracas, cancelando voos de ajuda humanitária.

Termo do mandato e futuro incerto

A Constituição venezuelana estabelece que as ausências temporárias do presidente podem ser cobertas pela vice-presidência por até 90 dias, prorrogáveis por mais 90. Esse período expira hoje, mas as autoridades não anunciaram o que farão. A Assembleia Nacional, controlada pelo partido de Rodríguez, pode convocar eleições antecipadas se declarar o cargo vago.

Organizações internacionais prometeram centenas de milhões de dólares em ajuda. Os Médicos Sem Fronteiras alertam que a magnitude do sofrimento ainda está a emergir. “Sabemos que ainda há corpos sob os edifícios desabados”, disse Andreas Spaett, coordenador do grupo na Venezuela. “Este é um dos grandes desastres naturais da história da humanidade.”

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Putin minimiza crise de combustível na Rússia

Putin minimiza os ataques às refinarias enquanto os russos enfrentam racionamento de gasolina.

Putin minimiza ataques ucranianos às refinarias

Apesar da grave escassez de combustível na Rússia, o presidente Vladimir Putin minimiza os ataques ucranianos às suas refinarias. Ele os descreve como uma tentativa de desviar a atenção das derrotas de Kiev no campo de batalha. Analistas apontam que o avanço russo desacelerou nos últimos meses.

Os ataques reduziram quase um terço da capacidade de refino. A produção de gasolina caiu 17%, para 850 mil barris por dia. O racionamento foi implementado em muitas regiões e os motoristas esperam em longas filas para abastecer. A Crimeia, anexada ilegalmente em 2014, sofre a pior escassez: as vendas de gasolina a particulares têm sido periodicamente suspensas.

Putin presidiu uma reunião no fim de semana passado para tratar do assunto. Em declarações televisivas ele reconheceu um “período difícil” e prometeu acelerar os reparos. Afirmou também que aumentará a produção de sistemas antiaéreos para repelir futuros ataques.

Ofensiva na Ucrânia e rejeição da trégua

Na quinta-feira, um enorme bombardeio russo em Kiev deixou pelo menos 30 mortos, um dos ataques mais mortíferos desde o início da invasão. A ONU contabiliza mais de 16 mil civis ucranianos mortos na guerra.

Putin rejeitou a proposta de cessar-fogo da Ucrânia. Condiciona qualquer trégua à retirada da Ucrânia de partes de Donetsk, abandonando as suas aspirações da NATO e reduzindo o seu exército. Ele também rejeitou a interrupção mútua de ataques profundos, afirmando que os russos são “muito mais poderosos e destrutivos”.

Na sexta-feira, Putin visitou o quartel-general militar na Ucrânia para receber informações sobre a captura de Kostyantynivka, que chamou de “grande importância estratégica”. A Ucrânia não confirmou a queda da cidade e informou ter repelido 24 ataques russos nas proximidades.

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