A Europa ao resgate (de novo)
Surpresa! A União Europeia, no seu papel favorito de “super-herói democrático”, decidiu enviar uma missão de observação às eleições bolivianas de 17 de Agosto. Porque, claro, nada diz “confiança no processo” como ter de enviar estrangeiros para garantir que as urnas não sejam roubadas. Bruxelas, sempre tão diplomática, insiste que isto é um apoio à Bolívia e não uma babá política. Embora, olhando para a história recente do país, talvez haja necessidade de alguém para colocar ordem no recesso.
O escolhido para esta missão épica
O sortudo encarregado de lançar olhares de desaprovação e fazer anotações em uma pasta será Davor Stier, eurodeputado croata cujo nome soa como o de um vilão de Bond, mas que promete ser imparcial. Sua missão? Avalie se as eleições são justas ou mais trapaceiras do que uma partida de pôquer com Evo Morales como dealer. Stier, com toda a sutileza de um martelo, lembrou que sua equipe fará um relatório independente. Tradução: “Eles não vão nos comprar com empanadas, senhores.”
Enquanto isso, Kaja Kallas, Alta Representante da UE, divulgou a frase protocolar do dia: “O povo boliviano merece a democracia, o Estado de direito e os direitos humanos.” O que ele não disse é que, por enquanto, a Bolívia parece mais próxima de um episódio de Game of Thrones do que de um manual cívico. Entre bloqueios de estradas, protestos e o eterno drama de Morales (que, como um mau namorado, insiste em voltar mesmo já tendo sido desclassificado), o país está agitado. A UE, como uma avó preocupada, condenou a violência, mas, sejamos honestos, as suas declarações têm o mesmo impacto que um balão de água contra um incêndio florestal.
O mais irónico: a Europa envia observadores para “proteger a democracia” na Bolívia, mas ninguém menciona que vários países da UE têm os seus próprios problemas com populismo e autoritarismo. Projeção muito? Claro que a mensagem é clara: se as coisas ficarem feias, Bruxelas pegará no seu caderno e colocará caras tristes no relatório. Consolação dos tolos.
O que vem a seguir? Espere para ver se os bolivianos conseguem votar sem que alguém coloque fogo nas urnas (de novo) ou se a UE acaba pedindo reforços… e pipoca.
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