Eles realmente ouvem os professores ou é outro ato protocolar?
O Ministério da Educação Pública (SEP) convocou um fórum nacional para, como dizem, “avaliar o progresso” da Nova Escola Mexicana. Três anos depois do seu lançamento, o governo quer saber como vão as coisas. Ou pelo menos ele quer fazer parecer que quer saber.
Professores, estudantes e acadêmicos se reuniram para “compartilhar experiências”. O titular do SEP, Mario Delgado Carrillo, abriu o evento com o discurso habitual: a “revalorização da profissão docente” é central. É claro que, depois de décadas de desdém institucional, eles são agora o eixo central. Quão oportuno.
“Os professores não apenas adaptam o conteúdo, mas também constroem programas educacionais que respondem às necessidades e realidades de suas comunidades”, declarou Delgado.
Belas palavras. Eu me pergunto quantos desses programas construídos por professores acabam aprovados pela burocracia educacional. A história sugere poucos.
O roteiro oficial e seus atores
A subsecretária Angélica Noemí Juárez Pérez falou da “abordagem plural”. Luciano Concheiro Bórquez mencionou a integração das línguas nativas. Foram organizadas mesas com especialistas como Rosa María Torres e Ángel Díaz Barriga.
Tudo muito correto, muito institucional. Mas nestes eventos falta sempre o mais importante: as vozes dissidentes, os professores que dizem que o modelo não funciona nas suas comunidades reais, aqueles que apontam a falta de recursos.
A declaração oficial fala de “diálogo permanente”. A pergunta incômoda é: esse diálogo modifica alguma coisa ou serve apenas para preencher a ata? Há anos que os professores pedem melhorias concretas, não apenas fóruns.
Enquanto isso, as salas de aula ainda aguardam a prometida “transformação curricular”. E os professores continuam a fazer malabarismos com o que existe. Como de costume.




