A morte de Baby Rider expõe o custo humano no Irã

Um jovem influenciador iraniano morre durante protestos, tornando-se um símbolo da repressão estatal.

Uma bala silencia o influenciador que desafiou o regime

Diana Bahadori tinha 19 anos e quase 200 mil seguidores no Instagram. Ela era conhecida como ‘Baby Rider’ por seus vídeos pilotando motocicletas potentes, um ato de rebelião para uma mulher no Irã. Na noite de 8 de janeiro, aquela rebelião custou-lhe a vida.

As forças de segurança iranianas dispararam contra manifestantes na cidade de Gorgan. Diana foi baleada pelo menos duas vezes enquanto participava de protestos contra o Líder Supremo Ali Khamenei. A sua morte não foi um acidente, embora o regime tenha tentado fazer com que parecesse um acidente.

“O incidente de Diana foi devido a um acidente. A família dela está de luto profundo. Por favor, evite criar rumores”

Essa declaração, atribuída à sua família, foi, segundo organizações de direitos humanos, uma condição imposta pelas autoridades para a entrega do corpo. A verdade é mais dura: Diana morreu durante o que a Amnistia Internacional documenta como o uso sem precedentes de armas de fogo contra manifestantes nos 47 anos de domínio islâmico.

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O símbolo por trás do influenciador

Seu crime foi duplo: apareceu sem o véu obrigatório e dirigiu motocicletas de grande porte, desafiando abertamente as regras. Num país onde as mulheres arriscam muito ao questionar as restrições, Diana tornou-se uma referência para uma juventude farta.

A sua morte reavivou queixas internacionais sobre a repressão, mas também iluminou uma estatística assustadora: segundo a HRANA, 2.571 pessoas morreram na onda repressiva que começou com greves devido à crise económica no final de Dezembro.

O que mais dói é o padrão. Mulher jovem. Desafiante. Silenciado. Diana Bahadori não enviará mais vídeos andando de moto, mas sua imagem agora representa algo maior: o preço pago por quem ousa questionar por dentro.