O grande encontro dos sábios do leite
Imagine a cena: um seleto grupo de senadores, aqueles esclarecidos que presidem comissões com nomes tão longos e pomposos que nem eles próprios conseguem aprendê-los, reunidos para ouvir os benefícios de um programa de governo. Não era qualquer programa, ah, não. Foi nada menos que o épico “Leite para o Bem-Estar”, uma iniciativa tão eficiente que, aparentemente, exige uma reunião com especialistas em mineração para explicar como é distribuído um copo de leite. Porque, claramente, a ligação entre a extração de minerais e a distribuição de laticínios é tão óbvia quanto o próprio leite.
A senadora Olga Sosa Ruíz, numa explosão de entusiasmo digna de um comercial de televisão, rapidamente reconheceu esse esforço sem precedentes do governo da presidente Claudia Sheinbaum Pardo. E como não fazer isso? Com mais de 12 mil pontos de atendimento implantados em todo o território nacional, quase é possível tropeçar em um cartaz do programa depois de dar dois passos. Beneficia mais de 7 milhões de beneficiários, um número tão redondo e perfeito que parece um cálculo feito com régua e compasso, dos quais 115 mil são de Tamaulipas. Que coincidência maravilhosamente precisa! O senador, com a solenidade de quem anuncia a descoberta da penicilina, declarou que esta política pública coloca a nutrição, a dignidade e o bem-estar no centro da agenda. Porque, claro, antes deste programa, a dignidade e o bem-estar estavam escondidos num canto, provavelmente atrás de uma pilha de papelada burocrática.
O objetivo: Salvar o campo e a humanidade, um copo de cada vez
Em seu discurso, sem dúvida repleto de dados tão suculentos quanto o próprio leite, a senadora moreno enfatizou um ponto crucial: leite não será importado. Glória ao céu! Isto, asseguram-nos, é um sinal fantástico para o campo mexicano e para a tão esperada auto-suficiência alimentar. Quase se pode ver as vacas locais levantando-se para aplaudir. Reconheceu, com uma pitada de emoção, o “conteúdo social” do programa, porque se trata de “meninas, meninos, mulheres, idosos e famílias inteiras”. Nossa, que alívio! Por um momento pensei que o leite servia para alimentar alienígenas ou animais de estimação de políticos. Afirmou que essas pessoas “hoje sentem que o acesso ao direito à alimentação está avançando”. E perguntamo-nos: será que eles sentem isso ou foi-lhes dito para sentirem num folheto oficial?
Os propósitos declarados deste programa federal são tão nobres que até um santo invejaria o seu histórico de serviço: combater a escassez de alimentos. Fá-lo-á através de dois eixos revolucionários. Primeiro, fornecer alimentos às famílias com menos recursos, uma ideia tão nova que ninguém tinha pensado nela antes. E segundo, garantir preços justos aos produtores de leite, especialmente aos pequenos e médios do sudeste mexicano. Porque, como todos sabemos, o Sudeste é famoso pelas suas vastas pradarias leiteiras, certo? É uma estratégia impecável: combater a pobreza inundando o mercado com leite. Simples, direto e tão branco quanto o produto em questão.
Os objetivos: Rumo a um futuro inundado de leite
O programa, que está atualmente em uma “fase de expansão” – uma forma elegante de dizer que está distribuindo leite a torto e a direito – passa de 7 milhões atualmente para uma meta de 10 milhões de beneficiários até o ano 2030. Já está presente em 89% dos municípios do país, o que significa que apenas um punhado de aldeias perdidas se salva, por enquanto, desta chuva leitosa. Imaginamos as equipes de logística, com mapas e bússolas, prometendo não descansar até que cada canto do México cheire a leite fresco.
Para lhe dar um toque de autoridade científica, o presidente da comissão de saúde, José Manuel Cruz, lembrou – como se o tivesse acabado de descobrir – que o consumo de dois copos de leite por dia contribui para evitar a desnutrição infantil. Que revelação! Graças às suas vitaminas, minerais e nutrientes, este elixir branco não só ajuda a reduzir a anemia, mas também melhora a atividade física das crianças. Em breve, esperamos, os pequenos mexicanos, fortalecidos pelo leite do governo, poderão participar das Olimpíadas e ganhar medalhas de ouro. O programa é, claramente, a pedra filosofal da nutrição.
A reunião de trabalho concluiu, como não poderia deixar de ser, com planos para fortalecer a abertura de novas queijarias, divulgar ainda mais o programa e, sobretudo, “manter o compromisso social”. Um compromisso tão firme e duradouro quanto o prazo de validade do leite que distribuem. A missão é clara: que o leite chegue a todos os cantos do país. Um futuro brilhante, branco e, acima de tudo, muito, muito leiteiro nos espera.
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