Queda histórica na confiança do consumidor nos EUA
O índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan registrou em maio seu segundo nível mais baixo em 75 anos, situando-se em 50,8 pontos, uma queda de 2,7% em relação ao mês anterior. Estes dados refletem uma queda acumulada de 30% desde janeiro, superada apenas pelo mínimo histórico de junho de 2022. A erosão na perceção económica é atribuída à incerteza gerada pelas tarifas comerciais, pela inflação persistente e pela polarização política.
Principais fatores por trás do pessimismo econômico
A imposição de tarifas de 145% sobre as importações chinesas durante a administração Trump – reduzidas para 30% após um acordo recente – levantou preocupações sobre o aumento do custo dos bens. Empresas como o Walmart já anunciaram aumentos de preços, afetando 90% dos lares americanos. Ao mesmo tempo, as expectativas de inflação para 12 meses atingiram 7,3%, o valor mais elevado desde 1981, apesar de a inflação real ter sido de 2,3% em Abril.
A pesquisa, realizada entre 22 de abril e 13 de maio, também revelou uma disparidade partidária sem precedentes: os democratas registraram uma confiança de 33,9 pontos (a mais baixa desde 1980), enquanto os republicanos ficaram em 84,2. Os analistas alertam que a mudança metodológica – apenas respostas online a partir de 2023 – pode ter exacerbado este preconceito.
Implicações para a economia e o consumo
A combinação de pressão inflacionista e menor optimismo ameaça o crescimento económico, especialmente em sectores sensíveis como o retalho e a electrónica. Embora a Casa Branca tenha flexibilizado algumas medidas, as tarifas médias permanecem elevadas em comparação com os padrões históricos. Este contexto coincide com a preparação das famílias para a temporada de volta às aulas, onde os ajustes de preços podem impactar ainda mais os gastos discricionários.
Os especialistas enfatizam que, embora as expectativas de inflação geralmente superem a realidade, a sua persistência afeta as decisões de compra e poupança. “Quando os consumidores antecipam preços mais elevados, reduzem despesas não essenciais, criando um círculo vicioso para a economia”, explicou um analista consultado.
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Fontes: Universidade de Michigan, Departamento de Comércio dos EUA, relatórios corporativos.




