Porque nada diz “feliz aniversário” como um selo postal e projeções de luz
Ah, os 700 anos. Uma época em que qualquer cidade já deveria ter claro se quer ser uma metrópole turística ou uma zona arqueológica. Mas o México-Tenochtitlán, esse sobrevivente nato, prefere comemorar com telas de luz, óperas e, claro, um selo postal comemorativo. Porque nada honra mais o povo mexicano do que… esperar na fila dos Correios Mexicanos.
Clara Brugada, nossa chefe de governo (sim, aquela que herdou o caos rodoviário e os projetos inacabados), anunciou com grande alarde – nunca melhor dito – que neste sábado o Zócalo se tornará palco de um “acontecimento muito importante”. Mais importante do que resolver o trânsito ou o abastecimento de água? Bem, pelo menos eles prometem recriar as peregrinações mexicanas. Esse é, basicamente, o primeiro “Hoy No Circula” da história.
O sino que (talvez) ninguém pediu, mas que todos precisávamos
Entre as joias desta comemoração está o selo postal artístico, aquela relíquia do século XXI que, segundo Violeta Abreu dos Correos de México, é um “testemunho gráfico da nossa história ancestral”. Ou, em cristão: um pequeno pedaço de papel que custará mais para enviar do que o valor real da carta. Claro, inclui o código QR, porque até os deuses antigos merecem entrar no mundo digital. Serão emitidos 200 mil, o suficiente para que sejam o novo “pegue, por favor” dos mercados de pulgas em 20 anos.
José Alfonso Suárez del Real, conselheiro presidencial, defendeu a ideia, argumentando que o sino faz parte do “legado de grandeza”. Claro, porque se há algo que define uma civilização que construiu pirâmides e dominou a astronomia, é… um selo de 15 pesos. Próximo passo? NFTs de Montezuma.
Luzes, esculturas e muita, muita nostalgia
Além do famoso sino (que, convenhamos, é o presente corporativo perfeito), haverá exibições no Palácio Nacional e na Catedral, porque que melhor maneira de homenagear os deuses do que transformar suas histórias em um TikTok monumental? Haverá também esculturas de deusas mexicanas e réplicas da Pedra do Sol, porque se você não consegue vencer a poluição, pelo menos decore com ela.
Brugada, numa explosão de poesia burocrática, disse que o sino levará “a todos os cantos do país a memória desta cidade construída sobre as águas”. O que é irónico, considerando que agora metade do CDMX está a afundar-se e a outra metade está a inundar. Mas ei, pelo menos o design é bonito!
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