A secretária que não chegou
A cena no Palácio Nacional teve um buraco evidente nesta terça-feira. Na apresentação do relatório sobre o sarampo faltou o homem que deveria liderá-lo: o secretário de Saúde, David Kershenobich.
A presidente Claudia Sheinbaum foi quem mostrou o rosto – e a explicação. Com aquela mistura de informalidade e pragmatismo que caracteriza estas conferências, ele expressou o que pensava.
“O Dr. Kershenobich não vem agora, ele está meio gripado, mas está bem agora, sem problemas, mas é mantido em casa.”
Aí está. O chefe da saúde pública do país, ‘mantido’ em sua casa. Sheinbaum queria deixar claro que não se trata de algo sério – “está tudo bem agora” – mas sim de regras protocolares. Ou pelo menos é isso que se quer transmitir.
Kershenobich, um cirurgião de 83 anos, assumiu o cargo em outubro do ano passado. Sua ausência hoje coloca em cima da mesa, mais uma vez, aquela incômoda questão que assombra os corredores: como um governo lida com as ausências por doença de seus líderes?
Principalmente quando o ausente é quem deve enfrentar um possível surto de sarampo. O tempo, como sempre, é o que faz barulho.
Por enquanto, a mensagem oficial é de calma. A secretária está gripada, segue as orientações e fica em casa. Um roteiro perfeito para estes tempos. O que fica nas entrelinhas é assunto para outro dia.




