Uma declaração que muda as regras do jogo
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, deixou claro esta terça-feira: o seu país tomará e controlará militarmente todo o sul do Líbano até ao rio Litani. Não é uma ameaça vaga. É um mapa desenhado em território real que representa 10% do país e mais de 150 municípios.
O número doloroso: mais de 200 mil pessoas já deixaram a região após ordens de despejo israelitas. Eles saem com o que vestem, deixando para trás suas casas e sua história. O Hezbollah respondeu rapidamente, alertando que esta ocupação seria uma “ameaça existencial” e prometendo resistência activa.
O cenário que ninguém quer ver
Este anúncio chega em um momento crítico. A missão capacete azul da ONU na região (UNIFIL), com cerca de 10.000 soldados, incluindo 650 espanhóis, vê como o seu mandato não será renovado após o final de 2026.
Tradução: Israel poderia avançar com um mínimo de supervisão internacional, justamente quando é mais necessário. A comunidade internacional vê com preocupação as possíveis violações do cessar-fogo em vigor desde 2024.
Nas últimas semanas, a aviação israelense já preparou o terreno. Atacaram pontes e estradas estratégicas para isolar o sul do país e limitar os movimentos do Hezbollah.
Katz foi mais longe ao garantir que as casas que funcionam como “postos terroristas” pudessem ser demolidas. É um roteiro que nos parece familiar, semelhante ao aplicado em Gaza, sempre com o argumento de proteger o norte de Israel.
O resultado imediato: dezenas de milhares de pessoas ficaram presas e isoladas na área, optando por ficar apesar das constantes ameaças.
Entretanto, o Governo libanês tenta distanciar-se noutra frente. Intensificou as suas medidas contra a influência iraniana, expulsando o embaixador e proibindo as atividades da Guarda Revolucionária no seu território.
Mas esta medida interna não impede os tanques israelitas na fronteira. O que está por vir é uma escalada anunciada, com os civis mais uma vez no meio.




