O relógio da guerra corre mais rápido que o da diplomacia
Enquanto você lê isto, um segundo porta-aviões americano está navegando em direção ao Oriente Médio. O Irã realiza manobras de fogo real no Estreito de Ormuz. E as negociações sobre o seu programa nuclear estão, mais uma vez, à beira do colapso.
A questão não é mais se haverá uma escalada, mas quando.
“Embora o Irã não busque tensão ou guerra e não inicie uma guerra, qualquer agressão dos EUA será respondida de forma decisiva e proporcional”, alertou o embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani.
Mas os avisos são apenas parte do teatro. A outra são os movimentos reais: a Rússia e o Irão realizaram exercícios conjuntos anuais esta semana. Teerã emitiu avisos aos pilotos para lançamentos de foguetes. E de acordo com um think tank, os EUA enviaram mais 50 caças para a região.
Um acordo em que ninguém acredita
Donald Trump diz que 10 ou 15 dias é “tempo suficiente” para um acordo. Parece um ultimato, não uma diplomacia.
As conversações estão paralisadas há anos porque Teerão se recusa a falar sobre o que Washington e Israel realmente exigem: que reduza o seu programa de mísseis e corte os laços com grupos armados aliados na região.
O Irão insiste que apenas questões nucleares sejam discutidas. Um alto funcionário dos EUA, falando sob condição de anonimato, confirmou que o Irão concordou em redigir uma proposta escrita… mas sem prazos claros.
Entretanto, segundo o mesmo responsável, as “forças completas” necessárias à acção militar estariam prontas em meados de Março.
“Ao longo dos anos, ficou demonstrado que não é fácil chegar a um acordo significativo com o Irão”, disse Trump na quinta-feira. “Se não, coisas ruins acontecem.”
A retórica é familiar. A novidade é o destacamento militar tangível.
O conselho regional muda (e alguns vão embora)
A Polónia instou os seus cidadãos a deixarem o Irão “imediatamente”. A Alemanha retirou pessoal não essencial do Iraque. São movimentos discretos que falam mais alto que as declarações oficiais.
Israel, por seu lado, está a fazer os seus próprios preparativos. Benjamin Netanyahu foi claro:
“Se o Irã atacar Israel, eles experimentarão uma resposta que nem sequer podem imaginar.”
Um responsável regional anónimo alertou os iranianos em conversas privadas: Levem a retórica de Trump ao pé da letra. Mas também alertou Washington: um ataque de pressão limitado poderia sair pela culatra e fazer com que Teerão abandonasse definitivamente as conversações.
O cálculo é delicado. Um erro pode incendiar a região.
O porta-aviões Gerald R. Ford saiu esta quarta-feira de Marrocos. Poderia passar por Gibraltar e posicionar-se no Mediterrâneo oriental em pouco mais de uma semana. O tempo para a diplomacia está se esgotando. As peças militares estão quase no lugar. A única coisa que falta é a ordem.




