Sheinbaum: a ação unilateral dos EUA alimentou a crise em Sinaloa
A Presidente Claudia Sheinbaum reiterou a sua posição contra as intervenções unilaterais dos Estados Unidos. Disse que a transferência de Ismael “El Mayo” Zambada sem informar o México causou uma fratura interna no Cartel de Sinaloa e um aumento dos conflitos.
“É melhor coordenar, é melhor colaborar, porque os resultados são sempre melhores quando colaboramos do que quando agimos unilateralmente, violando mesmo a soberania”, afirmou na sua conferência matinal.
“Ao levar um criminoso sequestrado por outro criminoso para os Estados Unidos, com a suposta participação dos Estados Unidos, causa-se uma divisão interna. E essa divisão interna gera muita violência em Sinaloa e outras partes do país”, disse ele.
Sheinbaum questionou as versões das autoridades norte-americanas. Enquanto uma versão diz que Zambada e Joaquín Guzmán López chegaram por conta própria, outra – atribuída ao FBI – afirma que a aeronave fazia parte de uma operação da agência.
“Então, dizer ‘foi uma operação minha’ significa que eles participaram, não que chegaram por acaso”, disse.
O presidente insistiu que a informação deveria ter sido compartilhada para que o Estado mexicano realizasse a prisão. Lembrou que durante o governo de Felipe Calderón o Cartel de Sinaloa foi protegido de outros grupos, o que, segundo ele, aumentou a violência.
“Não fazemos pactos entre nós, porque o que isso gera é mais violência. O Estado mexicano deve agir de acordo com a lei e contra qualquer suposto criminoso, independentemente do cartel”, afirmou.
Sheinbaum destacou que o actual esquema de cooperação reduziu o tráfico de fentanil para os Estados Unidos em cerca de 70 por cento. Melhorou também o intercâmbio de informações e ações contra o tráfico de armas.
Sobre o piloto da aeronave que transportou “El Mayo”, Sheinbaum informou que na próxima terça-feira o Gabinete de Segurança ou a Procuradoria-Geral da República darão mais detalhes.
“Quem decide os envios é o Conselho de Segurança Nacional, e eles fizeram as avaliações de cada uma dessas pessoas. Então, o Ministério Público ou o próprio Gabinete de Segurança podem explicar em particular sobre este piloto”, comentou.