Intervenção federal implanta agentes em Washington DC

A capital dos EUA está militarizada enquanto os dados oficiais contradizem a narrativa de emergência. Nós contamos a você os bastidores.

Bem-vindo ao Distrito de Columbia, agora com um toque de estado policial

Enquanto Washington esperava com aquela mistura de curiosidade e apreensão com que você analisa as histórias do seu ex, a Casa Branca lançou a bomba: um reforço maciço de tropas da Guarda Nacional e agentes federais patrulhando as ruas da capital 24 horas por dia, 7 dias por semana, a partir de quarta-feira. Porque nada diz “liberdade” como precisar de uma licença federal para comer frango frito no carro. A mudança, uma medida sem precedentes da administração Trump, basicamente colocou a cidade em um modo de falsa distopia por um mês, embora quem esteja acompanhando o tempo em 2025, na verdade.

O prefeito democrata e o chefe da polícia local, num ato de equilíbrio político digno de um Oscar, venderam a medida como um “benefício de segurança pública”. Embora, para ser justo, eles admitissem que tinham tão pouca ideia de como isso iria acabar quanto nós sobre o que colocar em nosso perfil do Tinder. Entretanto, o presidente republicano insistiu que a criminalidade na cidade se situava em níveis “emergenciais”, uma declaração que colide frontalmente com as estatísticas locais que mostram que a criminalidade violenta está no seu ponto mais baixo em três décadas. Mas ei, quem precisa de dados quando você tem uma narrativa?

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O show federal está na rua

Durante alguns dias, pequenos grupos de agentes federais foram vistos rondando áreas dispersas como se estivessem procurando Pokémon. Mas o governo prometeu que isso mudaria. E cara, isso mudou. Para a noite de quarta-feira, esperava-se uma presença “significativamente maior”. Centenas de agentes federais e policiais metropolitanos fizeram 43 prisões na noite de terça-feira. As violações alvo variam de dirigir sob influência de álcool até invasão de propriedade e um mandado de prisão por agressão com arma mortal. Também foram apreendidas sete armas de fogo ilegais. Basicamente, um dia normal no GTA, mas na vida real.

Em um bairro, agentes da ATF (Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos), do FBI e da Polícia do Parque revistaram o carro de um motorista estacionado legalmente comendo sua refeição para viagem. A dois quarteirões de distância, agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras se reuniram em um estacionamento antes de sair em patrulha. Porque, claramente, o limite mais perigoso agora é entre o estacionamento e a calçada. Entretanto, noutras áreas da cidade, incluindo locais de diversão nocturna, as patrulhas federais destacaram-se pela sua ausência. No National Mall, a atividade policial era tão escassa quanto uma foto não filtrada.

Aí vem o fato interessante: ao contrário de outros estados e cidades, a lei dá a Trump o poder de assumir o controle da polícia de Washington por até 30 dias sem pedir permissão. Ampliar esse poder exigiria a aprovação do Congresso, o que, com a resistência democrata, é tão provável quanto receber uma mensagem da nossa paixão.

A iniciativa também inclui a remoção de acampamentos de moradores de rua. A Polícia do Parque removeu dezenas de tendas desde março e planeja remover mais duas esta semana. É oferecida às pessoas a oportunidade de ir para abrigos e receber tratamento anti-drogas, mas aqueles que recusarem poderão ser multados ou presos. Autoridades municipais disseram que estão disponibilizando mais espaço nos abrigos. Uma solução complexa para um problema profundamente enraizado, reduzida a um slogan de campanha.

A dura realidade por trás da história

O esforço federal ocorre mesmo depois de um declínio nos crimes violentos na capital, uma tendência que os especialistas têm observado em cidades dos Estados Unidos desde o pico durante a pandemia. Em média, o nível de violência em Washington continua a ser superior às médias de três dezenas de cidades analisadas, mas a tendência é decrescente. No entanto, a chefe de polícia Pamela Smith observou que o Departamento de Polícia Metropolitana perdeu quase 800 policiais. Ele indicou que o aumento de agentes federais ajudaria a preencher essa lacuna, pelo menos temporariamente. Um adesivo federal para um ferimento estrutural.

Todo este circo, montado sob a justificativa de uma emergência de segurança, cheira mais a uma estratégia de imagem do que a uma política pública substancial. É o clássico “pão e circo”, mas com agentes federais e tweets dramáticos. Numa era em que a percepção muitas vezes supera a realidade, uma operação desta magnitude serve para projectar força e controlo, dois bens muito valiosos no mercado político actual.

Então agora você sabe: se você visitar DC, sorria para as câmeras de vigilância e talvez carregue uma placa que diz “Não sou uma ameaça, só vim pelo sushi”. A cidade está em modo de intervenção federal, e o roteiro é escrito por quem tiver o maior microfone.

Você está surpreso com esta medida? Compartilhe esta nota e marque qualquer pessoa que deveria entender que a realidade tem sempre mais nuances do que uma manchete.E se você quiser mais análises sobre como a política se torna um espetáculo, explore nosso conteúdo relacionado. Porque estar informado é o melhor filtro.

Ataque a petroleiro no Estreito de Ormuz alimenta tensões

Um petroleiro é atingido por um projétil ao largo de Omã. As tensões crescem com o Irão.

Um petroleiro que navegava ao largo da costa de Omã, no Estreito de Ormuz, pegou fogo na manhã de terça-feira após ser atingido por um projétil, informou o Exército Britânico.

É o ataque mais recente contra um navio naquela rota estratégica, por onde transitou em tempos de paz um quinto do petróleo e do gás natural comercializados no mundo. As suspeitas apontam para o Irão, que já foi acusado de ataques anteriores em águas próximas da costa de Omã.

Negociações sobre pausa e funeral em massa

Os Estados Unidos procuram retomar as negociações com o Irão para reabrir totalmente o estreito, reduzir o programa nuclear de Teerão e pôr fim definitivamente à guerra que começou em 28 de Fevereiro. No entanto, os ataques a navios provocaram respostas militares de Washington, seguidas de respostas iranianas contra os Estados árabes do Golfo, aumentando o risco de escalada.

As negociações parecem suspensas até que seja concluído o funeral do líder supremo do Irão, o aiatolá Ali Khamenei, falecido nas primeiras horas do conflito. Seu corpo foi transportado de avião para a cidade de Qom, onde uma multidão o homenageou na terça-feira.

Detalhes do ataque

A agência de Operações Comerciais Marítimas do Reino Unido disse que o navio foi atacado perto de Limah, Omã. O projétil atingiu bombordo ao tentar sair do estreito curso em direção ao Golfo de Omã. Nenhum impacto ambiental foi relatado e as autoridades estão investigando.

Anteriormente, o comando militar conjunto do Irão alertou que todos os petroleiros devem utilizar rotas aprovadas. “Qualquer incumprimento terá uma resposta imediata”, afirmou um comunicado iraniano, que também ameaçou reagir à interferência dos EUA.

Como parte de um pacto provisório, ambos os países concordaram em libertar a navegação durante 60 dias, mas Teerão insiste em controlar as rotas e cobrar pela passagem, o que Washington e vários países árabes rejeitam. Tentativas anteriores de Omã e da ONU para estabelecer uma rota alternativa provocaram ataques no Médio Oriente.

A empresa Kpler informou que pelo menos 108 navios cruzaram o estreito no fim de semana utilizando diversas rotas.

Funeral de Khamenei

A televisão estatal iraniana mostrou ao vivo centenas de milhares de pessoas caminhando em direção à mesquita Jamkaran para um funeral. Os banners apresentavam imagens de Khamenei e do seu filho, Moytabá Khamenei, nomeado o novo líder supremo, embora ele ainda não tenha aparecido nas cerimónias. Acredita-se que ele esteja sob custódia após ser ferido no ataque que causou a morte de seu pai.

As autoridades fecharam ruas e espaço aéreo para o luto, que termina quinta-feira, quando Khamenei será enterrado em Mashhad. Ele tinha 86 anos.

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Canadá escolhe a Alemanha para sua maior compra militar: 12 submarinos

Canadá nomeia empresa alemã para construir até 12 submarinos, a maior aquisição militar de sua história.

Canadá escolhe ThyssenKrupp para sua maior aquisição militar

O Canadá selecionou a empresa alemã ThyssenKrupp Marine Systems (TKMS) como fornecedor preferencial para a construção de até 12 submarinos. O primeiro-ministro Mark Carney classificou a operação como a maior aquisição militar da história do país.

O anúncio surge dias antes de Carney participar numa cimeira da NATO, onde os aliados enfrentam pressão para aumentar os seus gastos com defesa. O presidente afirmou que a plataforma TKMS é ideal para as águas do Ártico e para a aliança.

“O submarino é comprovado e capaz”, declarou Carney.

A TKMS fornece submarinos a mais de um terço dos membros da OTAN. Carney não quis revelar o preço exato, mas disse que envolverá um investimento de “dezenas de bilhões de dólares”.

O chanceler alemão Friedrich Merz agradeceu a Carney e enfatizou:

“Este é um sinal forte para a nossa aliança transatlântica e europeia.”

A empresa alemã venceu o sul-coreano Hanwha Ocean. A ThyssenKrupp disse que os seus submarinos reforçarão a interoperabilidade, uma vez que muitos aliados da NATO já operam embarcações com propulsão convencional.

O Canadá comprometeu-se a aumentar as suas despesas militares depois de anos de atraso em relação aos objectivos da OTAN. Carney prometeu aumentar os gastos com defesa para 5% do PIB até 2035, depois de atingir 2% do PIB este ano, a meta anterior da aliança. O plano fiscal canadiano prevê gastos que atinjam 4% do PIB até 2030.

Alemanha e Noruega, países que projetam juntos os submarinos, abrirão espaços de produção para agilizar as entregas. O Canadá receberia quatro submarinos até 2034, dois anos antes do projetado. A nova frota substituirá os quatro submarinos da classe Victoria, adquiridos em segunda mão no Reino Unido no final da década de 1990.

Nenhuma empresa americana apresentou proposta, pois os Estados Unidos apenas constroem submarinos com propulsão nuclear, enquanto o Canadá procurava navios convencionais.

“A soberania do nosso país, delimitado por três oceanos e pela maior linha costeira do mundo, depende das nossas capacidades marítimas”, concluiu Carney.

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China lança míssil balístico de submarino nuclear no Pacífico

Teste com ogiva falsa atrai críticas da Austrália, Japão e Nova Zelândia.

Teste de míssil balístico de submarino nuclear

Os militares da China testaram na segunda-feira um míssil balístico de longo alcance de um submarino com propulsão nuclear no sul do Oceano Pacífico. A ogiva era fictícia, segundo a agência oficial Xinhua. O lançamento, às 12h01, horário local, fez parte do treinamento anual de rotina e não foi dirigido contra nenhum país, disse um breve comunicado da Xinhua republicado pelo Ministério da Defesa.

Austrália, Japão e Nova Zelândia protestaram. O Ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, declarou:

“Parece que, apesar das nossas preocupações de longa data sobre este tipo de atividade, a China realizou o teste poucas horas depois de nos informar.”

O teste ocorreu no mesmo dia em que a Austrália e as Fiji assinaram um tratado de defesa mútua, num gesto para contrariar a influência chinesa. A ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, disse:

“A Austrália deixou claro com a China que consideramos que isso é desestabilizador para a região.”

O Japão expressou preocupação. O secretário-chefe de gabinete, Minoru Kihara, disse:

“As atividades militares da China, combinadas com a sua falta de transparência, tornaram-se uma séria preocupação para o Japão e a sociedade internacional.”

Pequim rejeitou as críticas. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores declarou: “Esperamos que os países relevantes evitem interpretações exageradas”.

Os Estados Unidos também reagiram. O porta-voz do Departamento de Estado, Thomas Pigott, disse:

“O rápido e opaco acúmulo de armas nucleares em Pequim é uma grande preocupação para a região e para o mundo.”

Especialistas apontaram a falta de transparência. Drew Thompson, pesquisador da Universidade Tecnológica de Nanyang, comentou: “A modernização e o desenvolvimento militar da China ocorreram sem aumentos paralelos na abertura e na transparência”.

Lyle Morris, do Asia Society Policy Institute, observou que este é o primeiro teste publicamente reconhecido de uma ogiva simulada de um submarino nuclear viajando tão longe no Pacífico. Morris enfatizou que o Japão, a Nova Zelândia e a Austrália receberam notificações, mas não os Estados Unidos.

A China mantém uma política de “não primeiro uso” de armas nucleares, mas moderniza o seu arsenal. Segundo o Pentágono, a China tinha cerca de 600 ogivas em 2024 e projeta mais de 1.000 até 2030.

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