As administrações municipais que concluíram o período 2022-2025 em Veracruz receberam, em termos gerais, classificações baixas dos cidadãos, sendo a insegurança o principal problema herdado pelos novos governos locais, revelou um estudo de opinião pública apresentado por Luis Santoyo Domínguez, diretor da empresa Santoyo y Asociados.
Durante a apresentação dos resultados, o especialista explicou que o estudo foi aplicado nos maiores e mais populosos municípios do estado, com o objetivo de obter uma amostra representativa da população de Veracruz, pois seria inviável realizá-lo nos 212 municípios. Ele destacou que essas cidades são estratégicas não só para o desenvolvimento local, mas também para o crescimento estadual e nacional.
Explicou que a metodologia utilizada foi uma amostragem aleatória estratificada, com entre 500 e 800 inquéritos por município, dependendo do tamanho da sua população. Os cidadãos foram convidados a avaliar, numa escala de 1 a 10, o desempenho da administração municipal cessante e a identificar os principais problemas que ficaram pendentes para as novas autoridades.
Santoyo Domínguez destacou que, embora alguns prefeitos tenham obtido melhores índices de aprovação que outros, o saldo geral não foi excelente. No caso de Xalapa, indicou que a avaliação foi intermediária, não ficando nem entre as melhores nem entre as piores, enquanto Córdoba se destacou como um dos municípios com pior classificação, principalmente quando comparado a Orizaba, que manteve um desenvolvimento mais constante nos últimos anos.
O diretor do escritório afirmou que esta medição está entre as mais baixas que registou ao longo da sua carreira em estudos demográficos, situação que atribuiu ao perfil dos candidatos indicados pelos partidos políticos e à incapacidade de alguns presidentes municipais em formar equipas de trabalho com experiência e conhecimentos técnicos.
Acrescentou que em muitas câmaras municipais foi decidido integrar amigos ou pessoas sem o perfil adequado, o que levou a administrações ineficientes. A isto acrescenta-se, disse, a corrupção ou o mau uso de recursos públicos, factores que agravam o desempenho do governo e limitam o desenvolvimento municipal, especialmente em termos de emprego e serviços.
Relativamente aos problemas herdados, sublinhou que a insegurança lidera as preocupações dos cidadãos nos municípios avaliados. Considerou que os novos governos deveriam tomar estes resultados como base para a elaboração dos seus planos de desenvolvimento municipal e evitar decisões improvisadas. Embora reconhecesse a complexidade da erradicação desse fenômeno, insistiu na necessidade de desenhar estratégias coordenadas com as polícias estadual e federal, dada a proximidade dos órgãos municipais com a população.
Sobre as alegações de danos materiais e observações financeiras, Santoyo Domínguez afirmou que muitos autarcas agem como se gerissem os seus próprios recursos e não os públicos, o que reflecte práticas de incompetência ou corrupção. Nesse sentido, apelou ao fortalecimento dos mecanismos de avaliação dos cidadãos e ao Congresso do Estado, através da Comissão de Fiscalização, para promover avaliações mais aprofundadas da percepção e do real desempenho dos governos municipais.
Por fim, sustentou que a opinião dos cidadãos deve ser um eixo central para avaliar os presidentes municipais e as suas equipas, uma vez que são os habitantes que enfrentam diretamente as consequências da boa ou da má administração.




