A dança da ignorância oficial
Omar García Harfuch lançou a bomba numa conferência: a governadora de Chihuahua, Maru Campos, confessou que não fazia ideia da existência de agentes norte-americanos a operar no seu território. “Ela me disse que não tinha conhecimento”, repetiu a secretária, como se destacasse uma contradição que já fede.
E na quinta-feira, 23 de abril, reuniram-se para falar sobre o desmantelamento de um laboratório de drogas onde dois agentes da CIA acabaram mortos. Coincidente ou não, ninguém esclarece o que aqueles meninos faziam ali.
“No caso de Chihuahua, não temos conhecimento do que estavam fazendo as pessoas que obviamente lamentaram sua morte. Isso será determinado pela própria Procuradoria-Geral da República”
Troca sim, mas com limites
Harfuch deixou claro: há uma troca constante de informações com Washington. Na verdade, graças a isso capturaram Audias Flores “El Jardinero”, o segundo do CJNG e homem de confiança de “El Mencho”. Mas uma coisa é transmitir dados e outra é ter agentes estrangeiros no terreno durante as operações nacionais. A linha parece boa, mas para o funcionário é um abismo jurídico.
O exército lava as mãos
O General Ricardo Trevilla Trejo, Secretário de Defesa, foi mais longe: os agentes americanos nunca pisaram em instalações militares nem falaram com as suas tropas. Segundo ele, os militares apenas forneciam segurança periférica enquanto o Ministério Público fazia o seu trabalho. “O laboratório foi localizado e está sendo protegido”, explicou, como se descrevesse uma rotina burocrática.
A verdade é que dois cidadãos americanos morreram em solo mexicano durante uma operação que ninguém quer reconhecer. A FGR investiga, mas enquanto isso as versões oficiais parecem mais um jogo de evasão do que uma prestação de contas.




