O adeus (ou nem tanto) de um mito com luvas
Ah, Guillermo Ochoa, o homem que parou mais bolas do que as desculpas de um político na campanha. O goleiro mexicano, com aquele misto de humildade e sarcasmo que só ele sabe cultivar, anunciou que esta era sua última Copa Ouro. Embora, claro, o tenha dito com a mesma convicção com que se jura que “esta é a última fatia de bolo”.
Em uma postagem nas redes sociais que misturava nostalgia e orgulho (e provavelmente uma homenagem aos seus inimigos), Memo divulgou: “A vida e o futebol me deram a oportunidade de experimentar algo maravilhoso”. Tradução: “Sim, ganhei esta taça seis malditas vezes, o que vocês fizeram além de criticar no sofá?” Claro que, com a elegância que o caracteriza, acrescentou: “Cada um com a sua história, os seus desafios e as suas alegrias”. Ou seja, desde quando era a criança prodígio até agora, quando é o “avô” que todos amam mas que ninguém espera ver no arco.
Registros, substituições e sofrimento familiar
Para os mais desinformados: Ochoa igualou o uruguaio Ángel Romano como o jogador com mais títulos em um torneio continental (6). A diferença é que Romano conseguiu isso há um século, quando o futebol era jogado com chuteiras de couro e sem VAR. Memo, por outro lado, fez isso na era dos memes e drones. Claro que nesta última edição ele não jogou um minuto. Isso importa? Para ele, não. Como bom goleiro, ele sabe que às vezes a melhor defesa é ficar no banco e deixar que os outros façam o trabalho.
E por falar em sofrimento, o herói do Nice 2014 confessou: “Agora tenho que vivê-lo em um papel diferente e sofro mais por fora do que por dentro.” Ou seja, sua família suportou mais nervosismo do que um torcedor do América nas finais. Mas o que você esperava? Ser esposa, filho ou até mesmo cachorro de um goleiro no México deve ser como viver em uma montanha-russa emocional com patrocinadores.
O melhor veio quando ele falou sobre seu futuro: “Quando eu disse que ir para a sexta Copa do Mundo é difícil, senão muitos conseguiriam.”. Tradução: “Sim, sei que tenho 40 anos, mas se Aguirre me ligar, correrei para o gol mesmo estando em cadeira de rodas”. E atenção, não é brincadeira: com seu físico de iogue e mentalidade de gladiador, ele pode muito bem ser o primeiro goleiro a jogar uma Copa do Mundo com cabelos grisalhos.
Moral? Ochoa pode se aposentar quando quiser, mas o futebol mexicano não está pronto para se despedir. Entretanto, continuaremos a perguntar-nos: em que museu estarão expostas as suas luvas quando se reformar?
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