O ‘transporte’ que gritou
As autoridades mexicanas depararam-se esta segunda-feira com uma carga humana. Não na fronteira, mas numa garagem de veículos em Veracruz. Dentro de um caminhão, aparentemente roubado, encontraram 229 migrantes.
O alarme não foi dado por um controle, mas pelos próprios viajantes. Depois de horas trancados, eles começaram a gritar e bater nas paredes do veículo. O pessoal do armazém ouviu o clamor e notificou os serviços de emergência.
“Horas depois de sua chegada, começaram a ser ouvidos gritos e pancadas vindos de dentro”, disse um trabalhador.
Uma jornada desumanizante
Entre o grupo havia 17 menores. A maioria, centro-americanos. Mas são os detalhes que realmente gelam o sangue.
As autoridades confirmaram que os traficantes lhes injetaram medicamentos para “evitar que precisassem urinar durante a viagem”. Uma prática brutal que os expôs a sérios riscos de desidratação.
Alguns migrantes pertenciam a comunidades indígenas na Guatemala e nem sequer falavam espanhol. Eles tiveram que esperar que os tradutores pudessem contar sua versão. O motorista do caminhão foi preso no local.
As perguntas incômodas vêm depois. Como é possível que um caminhão com 229 pessoas passe despercebido até parar em um depósito devido a uma simples denúncia de furto? O governo de Veracruz promete uma investigação sobre as condições da viagem.
Os resgatados foram carregados em caminhões da polícia. Seu destino final, como costuma acontecer, não foi especificado pelas autoridades. Eles andam entre promessas e protocolos.
Este caso não é uma anomalia. É o sintoma de uma rota migratória cada vez mais perigosa e desesperada. Onde a mercadoria são as pessoas, e o silêncio vale mais que o bem-estar.




