Adeus a uma peça fundamental do Olimpo Celestial
Parece que o céu está literalmente se enchendo de estrelas celestiais. A Federação Mexicana de Futebol acaba de divulgar a notícia que ninguém queria ler em nenhuma segunda-feira: Javier Sánchez Galindo, uma autêntica relíquia do futebol nacional, nos deixou aos 78 anos. Esse homem era daquela raça de jogadores de futebol que hoje parecem saídos de um documentário da Netflix, daqueles que jogavam por amor à arte e, aliás, acumulavam troféus como se fossem figurinhas do álbum Panini.
Para se ter uma ideia de com quem estamos lidando, Galindo não era daqueles que se contentam com o título da liga e se aposentam para viver das glórias do passado. Não, não, não. Este homem, a partir da posição de lateral direito – posição que hoje é quase um esporte de contato extremo – conquistou 16 troféus em apenas 15 anos de carreira profissional. Sim, você leu certo: mais títulos do que anos de carreira! Uma estatística que faria chorar de inveja mais de um time moderno que comemora como se tivesse vencido a Liga dos Campeões ao empatar um clássico.
Com esse recorde, ele está entre os 5 jogadores mais vencedores da história do futebol mexicano, dividindo a conta com lendas como Paul Aguilar e Isidoro Díaz, e atrás apenas de monstros sagrados como Rafael Márquez e Hugo Sánchez. Qual é, era o equivalente no futebol a ter todas as conquistas desbloqueadas em um videogame.
A “perna forte” que forjou uma era de ouro
Seu apelido, “A Perna Forte”, não foi um mero capricho da imprensa. Parece um nome de super-herói dos anos 70, e a verdade é que não combinava com ele. Estreou-se em 1967 no Cruz Azul, time do cimento, e se tornou peça-chave daquele mítico time celeste que basicamente tomou conta dos anos 70. Enquanto o mundo penteava os cabelos com cabelos afro e ouvia disco, essa máquina vencedora acumulou cinco títulos da Liga, três Copas dos Campeões da Concacaf (ou Concachampions, para os rapazes), dois Campeão dos Campeões e uma Copa do México. Basicamente, eles eram os donos do quintal do futebol continental.
Mas sua sede de glória não foi saciada com a camisa azul clara. Num movimento que hoje explodiria as redes sociais, ele também se vestiu para a América –sim, o clássico rival– e, com a elegância de um chefe final que muda de cenário, também foi coroado com eles na Concachampions, na Liga, no Campeão dos Campeões e até na Copa Interamericana. Um nível de adaptação e sucesso que é praticamente um mito no futebol moderno, onde a mudança de time geralmente traz consigo uma dose garantida de ódio.
E caso alguém pensasse que sua magia só funcionava no clube, ele também vestiu a camisa da Seleção. Fez parte da seleção mexicana nos Jogos Olímpicos México 1968, evento que colocou o país no mapa mundial, e depois conquistou a Copa das Nações Concacaf de 1971 (avó da atual Copa Ouro). Ou seja, o homem colecionava feitos como se fossem discos de vinil raros.
Seu legado é uma lembrança de uma época em que os jogadores eram ícones do bairro, com apelidos épicos e carreiras construídas com base em gols e títulos, e não em patrocínios ou seguidores no TikTok. Num mundo do futebol hoje obcecado por dados e estatísticas de ‘golos esperados’, a história de Galindo diz-nos que, por vezes, o dado mais importante é aquele que fica registado nos troféus e na memória dos adeptos.
Sua saída não é apenas a perda de um ex-jogador; É o encerramento de um capítulo fundamental na história do futebol mexicano. Um capítulo escrito com dribles, títulos e a garra de um ponta que soube se tornar uma lenda. Um legado que, assim como as boas lembranças, é esquecível.
Você conhecia a história dessa lenda do futebol mexicano? Honre sua memória compartilhando este artigo com outros fãs de esportes e explore mais histórias das glórias passadas que moldaram o futebol do país.




