Ex-governador de Porto Rico se declara culpado em caso federal

Um acordo judicial federal encerra um caso de grande repercussão que envolve figuras políticas e financeiras, revelando falhas sistémicas.

Confissão de culpa em caso de financiamento ilícito

A ex-governadora de Porto Rico, Wanda Vázquez Garced, formalizou sua confissão de culpa nesta quarta-feira perante um tribunal federal, admitindo sua responsabilidade por um crime de violação dos regulamentos de financiamento de campanha. Este processo judicial em grande escala envolve também um ex-agente do Federal Bureau of Investigation (FBI) e um banqueiro de nacionalidade venezuelana, tecendo uma complexa teia de interesses financeiros e políticos.

Vázquez, um profissional jurídico, entrou para a história como o primeiro ex-presidente da ilha a admitir culpa pela prática de um delito criminal. A infração específica consiste em ter aceitado contribuição de campanha de um estrangeiro para sua disputa a governador em 2020. A audiência para determinar sua sentença está marcada para o próximo dia 15 de outubro.

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Antecedentes e desenvolvimento do caso

No final da audiência, a ex-governadora dirigiu-se à comunicação social, afirmando que depositava a sua confiança “num grupo de pessoas do seu ambiente imediato… que não desempenhavam as suas funções com a devida diligência”. Acrescentou que estes colaboradores aceitaram uma promessa de doação em nome do banqueiro envolvido. “Houve um descuido da parte deles ao não solicitarem o cartão de residência permanente deste indivíduo”, explicou, sem identificar com precisão os alegados autores e referindo-se ao documento de identificação da imigração norte-americana. “São eventualidades que acontecem nestes contextos”, argumentou.

Vázquez deu especial ênfase ao facto de que, embora tenha sido estabelecido um compromisso contratual, a contribuição financeira nunca se materializou e, consequentemente, nunca foi recebida. “Nesta situação não foi cometido nenhum ato de suborno”, afirmou enfaticamente. “Não obtive nenhum benefício financeiro, nem um único centavo.”

A origem deste arquivo remonta a agosto de 2022, quando Vázquez foi detida e inicialmente enfrentou acusações por sua suposta participação em um esquema de corrupção que teria se desenvolvido entre dezembro de 2019 e junho de 2020, precisamente durante seu mandato como governadora.

De acordo com a documentação apresentada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a acusação principal alegou que Vázquez concordou em destituir de seu cargo o diretor do Gabinete do Comissário de Instituições Financeiras de Porto Rico em troca da obtenção de apoio financeiro para sua campanha de reeleição em 2020. É crucial observar que, durante esse período temporário, o referido escritório de supervisão estava conduzindo uma investigação exaustiva sobre um banco de propriedade de Cidadão venezuelano Julio Martín Herrera Velutini, após a detecção de uma série de transações financeiras irregulares e suspeitas.

As autoridades federais sustentaram que Herrera Velutini e Mark James Rossini, um ex-agente do FBI que prestou serviços de consultoria e assessoria ao banqueiro, supostamente desembolsaram mais de US$ 300.000 através de consultores políticos para financiar a campanha de Vázquez. Esse fluxo de capitais ocorreu após o então governador exigir a renúncia do comissário interino e nomear para o cargo um ex-consultor do próprio banco de Herrera Velutini.

O resultado político materializou-se em agosto de 2020, quando Vázquez não conseguiu obter a nomeação do seu partido, o Novo Partido Progressista (PNP), sendo derrotada nas primárias por Pedro Rafael Pierluisi Urrutia, que mais tarde foi eleito governador.

Implicações legais e conclusões do processo

Inicialmente, o sistema de justiça federal acusou Vázquez e os outros dois principais suspeitos do caso de graves acusações de associação criminosa, suborno em programas que recebem fundos federais e fraude eletrônica. Se considerados culpados das acusações originais, os réus enfrentariam penas de prisão que poderiam chegar a até 20 anos de prisão.

No entanto, no início deste ano, ocorreu uma redução significativa nos encargos através de um acordo de liquidação. As acusações foram substituídas por uma única acusação por violação da Lei Federal de Campanha Eleitoral (FECA), crime que acarreta pena máxima de até um ano de reclusão.

Nesta quarta-feira, Herrera Velutini e Rossini também se declararam culpados perante o tribunal por sua participação no mesmo processo judicial. A audiência para leitura das sentenças está marcada para 10 de dezembro. Ambos optaram por não prestar declarações à imprensa ao deixarem o tribunal.

Em declarações antes de entrar no tribunal federal de San Juan, Vázquez descreveu os últimos três anos como “terríveis“, sempre sustentando que as acusações feitas contra ele careciam de veracidade e fundamento.

A ex-governadora esteve sempre acompanhada de seu representante legal, o senhor Ignacio Fernández de Lahongrais, que afirmou que seu cliente “se sente justificado” com a substituição para o novo cargo menos oneroso. A admissão de culpa apresentada formalmente esta quarta-feira representava o cancelamento de um julgamento que estava previsto para começar no final de agosto, evitando assim um processo de litígio longo e de grande repercussão.

Deve-se notar que a magistrada Silvia L. Carreño Coll, responsável pelo caso, expressou abertamente seu ceticismo em relação ao acordo alcançado entre a defesa e a acusação, chegando a descrever a nova acusação como uma simples reprimenda ou reprimenda se contrastada com a gravidade das acusações originais. Além disso, dois outros indivíduos investigados na mesma trama já haviam formalizado suas declarações de culpa.

Este caso estabelece um precedente significativo na luta contra a corrupção e o financiamento ilícito de campanhas políticas, sublinhando a importância da transparência e do cumprimento estrito das regulamentações eleitorais.

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1.430 mortos e 3.238 feridos deixados por terremotos na Venezuela

O balanço oficial dá conta de 1.430 mortos e mais de 3.000 feridos após dois terremotos na Venezuela.

Números oficiais após os terremotos na Venezuela

O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, atualizou o balanço dos dois terremotos que abalaram o país. Até agora há 1.430 mortes e 3.238 feridos. Os esforços de busca e resgate continuam nas áreas mais afetadas.

Rodríguez especificou que 3.142 famílias foram afetadas e estão sendo atendidas em abrigos distribuídos nos sete estados afetados. Além disso, foram registradas 430 réplicas dos terremotos.

De acordo com a plataforma online aberta, falta o número 50.947. O responsável, irmão da presidente interina Delcy Rodríguez, reiterou o apelo aos cidadãos para que não entrem em La Guaira e depositem a sua ajuda em centros de recolha autorizados.

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La Guaira: cheiro de decomposição e lentidão nos resgates após terremotos

Após 72 horas dos terremotos, os ativistas relatam corpos não recuperados e pouca resposta oficial.

La Guaira: 72 horas após os terremotos

Em Caraballeda, bairro residencial de La Guaira, o cheiro de decomposição foi percebido claramente na noite de sexta-feira. As primeiras 72 horas após a passagem dos terremotos, um período chave para resgates de vidas.

Ativistas da Provea, a mais antiga ONG de direitos humanos da Venezuela, confirmaram à ANSA que durante uma visita àquela área “sentimos cheiro de decomposição (sinal de corpos não recuperados sob os escombros)”. Além disso, apontaram que “há poucas unidades de recuperação de corpos”.

72 horas depois dos dois terremotos que devastaram a região, ativistas observaram “corpos que ainda não foram transferidos com dignidade”. Lembraram que “o Estado tem a obrigação de garantir operações de recuperação dignas para cada vítima e seus familiares”.

Os sismos, de magnitude 7,2 e 7,5, ocorreram consecutivamente esta quarta-feira, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O epicentro localizou-se em Yaracuy, cerca de 300 km a oeste de Caracas, mas La Guaira, a apenas 30 km da capital, sofreu o maior impacto estrutural.

O chefe de Assuntos Humanitários da ONU, Tom Fletcher, estimou que mais de 50 mil pessoas estavam desaparecidas. Jornalistas e observadores indicaram que a maioria está concentrada em La Guaira, onde as imagens nas redes mostram numerosos corpos sem vida.

O jornalista León Hernández, que esteve em La Guaira na sexta-feira, disse à ANSA: “Eu estive lá… são realmente milhares. Nesta sexta-feira à noite foram concluídas as 72 horas essenciais para resgates”. Ele acrescentou que “em muitos edifícios desabados, apenas funcionários públicos e voluntários foram encarregados de continuar a resgatar pessoas”. Explicou que “os danos são de enormes proporções, milhares de vítimas. Vi edifícios completos dos quais apenas uma pessoa foi tirada com vida”.

Neste sábado, a presidente interina Delcy Rodríguez disse que sete estados foram afetados, mas que a catástrofe atingiu La Guaira. O governo informou o envio de máquinas e militares, e o fechamento do acesso a La Guaira desde a noite de sexta-feira, justificando-o por razões de ordem e segurança. No entanto, activistas e jornalistas locais questionam a priorização e a resposta insuficiente nas primeiras 72 horas.

Milhares de vítimas permanecem em abrigos improvisados ​​ou nas ruas por medo de tremores secundários. A combinação de detritos, calor (até 40°C) e corpos não recuperados cria um risco crescente para a saúde. As famílias exigem transparência nos números, acesso digno aos órgãos e uma resposta do Estado à altura da dimensão da catástrofe.

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La Guaira: 72 horas de incerteza após os terremotos

O cheiro de decomposição e poucas equipes de resgate marcam a área mais devastada pelos terremotos.

Resgates em La Guaira: 72 horas de incerteza

72 horas depois dos dois terremotos que abalaram o norte da Venezuela, a região de La Guaira enfrenta uma crise humanitária. Ativistas da Provea, a mais antiga organização de direitos humanos do país, relatam cheiro de decomposição e poucas unidades de recuperação de corpos.

“Sentimos cheiro de decomposição – um sinal de corpos não recuperados sob os escombros – e também há poucas unidades de recuperação de corpos”, disseram eles à ANSA após uma visita à área.

Os terremotos, de magnitude 7,2 e 7,5 segundo o USGS, ocorreram consecutivamente. O epicentro localizou-se em Yaracuy, a 300 km de Caracas, mas La Guaira, a apenas 30 km da capital, sofreu o maior impacto estrutural. A ONU, através de Tom Fletcher, estimou que mais de 50 mil pessoas estavam desaparecidas.

O jornalista León Hernández, presente na sexta-feira, descreveu a magnitude da tragédia:

“Eu estava lá… na verdade, são milhares. Nesta sexta-feira à noite, as 72 horas essenciais para resgates foram concluídas. Em muitos edifícios desabados, foram apenas funcionários públicos e, em muitos casos, voluntários encarregados de continuar a resgatar pessoas.”

Ele acrescentou que milhares de vítimas foram deixadas em abrigos improvisados ou nas ruas por medo de tremores secundários. As temperaturas chegam a 40 graus Celsius, combinando detritos e corpos não recuperados, criando um risco crescente para a saúde.

A presidente interina Delcy Rodríguez relatou danos em sete estados, mas a tragédia está concentrada em La Guaira. O governo anunciou o envio de máquinas e o fechamento do acesso a partir de sexta-feira por ordem e segurança. No entanto, os activistas questionam a resposta insuficiente nas primeiras horas críticas.

As famílias exigem transparência nos números, acesso digno aos órgãos e uma resposta do Estado à altura da catástrofe. Os esforços de busca continuam, mas a lentidão e a escassa presença oficial marcam o panorama desta região costeira.

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