Quando o pesadelo é mais estranho que a ficção (e ninguém está rindo)
Imagine que é terça-feira, você está na aula sonhando com seu café das 11 horas e, de repente, o som de tiros transforma sua escola no cenário de um filme que ninguém gostaria de estrelar. Foi assim que o dia começou na BORG Dreierschützengasse em Graz, Áustria, onde um ex-aluno de 21 anos — sim, outro de vinte e poucos anos com problemas que ninguém sabia detectar – decidiu que seu legado seria um massacre. Nove vidas interrompidas, doze feridos e um país que se pergunta (de novo) como diabos chegou a isso.
O roteiro macabro: armas legais e zero antecedentes criminais
O agressor, cujo nome as autoridades relutam em tornar viral (bom para elas), usou duas armas — um rifle e uma pistola — que, surpresa, ele possuía legalmente. Porque a Áustria, aquele paraíso alpino onde a aguardente e as espingardas parecem ser direitos humanos, tem leis sobre armas mais flexíveis do que a dieta de um influenciador em férias. Claro que para comprar uma semiautomática você precisa de uma licença, mas um rifle de caça? Sua identidade e um “por favor” são suficientes. O que poderia dar errado?
O cara agiu sozinho, suicidou-se em um banheiro (nada como deixar a bagunça para os outros) e, embora não tivesse antecedentes criminais, algo deu errado. Foi o sistema? Saúde mental? A facilidade de acesso às armas? O Chanceler Christian Stocker chamou-o de “dia sombrio” e decretou três dias de luto, porque nada representa mais “solidariedade” do que baixar bandeiras e observar um minuto de silêncio. Enquanto isso, a Cruz Vermelha organizou doações de sangue e terapias para os sobreviventes, porque o trauma não desaparece com uma hashtag.
Graz, a cidade que já conheceu o terror
Este não é o primeiro ato violento em Graz: em 2015, um cara atropelou mais de 30 pessoas com seu SUV. E em 2020, Viena sofreu um ataque jihadista. A Áustria, aquele país que associamos a Mozart e ao strudel, tem uma história recente de violência que não cabe na sua imagem de postal. Claro que aqui as armas são quase uma lembrança: se você tem 18 anos e quer caçar veado (ou o que quer que seja), pode comprar uma sem muito drama. Isso explica por que o atirador – que abandonou a escola em algum momento – conseguiu criar seu próprio caos sem levantar suspeitas.
Entre os testemunhos mais cruéis está o de Metin Özden, dono de um kebab próximo, que viu 300 policiais e seus pais chorando. “Nunca vi tantos serviços de emergência”, disse ele. E tenha cuidado, este é um país onde, até hoje, os tiroteios em massa eram coisa de Hollywood.
Moral? Nenhuma. Apenas perguntas: como é que um jovem de vinte e poucos anos sem antecedentes se torna um assassino? Por que as leis sobre armas não contemplam esses casos? E o mais desconfortável: quando deixaremos de normalizar as salas de aula como zonas de guerra?
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