Um crime que reflete a violência sistêmica no México
Eliza Cruz Zaragoza, uma jovem de 28 anos originária de San Isidro, no município de San Lucas Zoquiápam, Oaxaca, foi encontrada morta em 26 de maio. Seu caso chocou a comunidade e demonstrou, mais uma vez, a alarmante prevalência da violência de gênero na região. Segundo depoimentos, Eliza saiu de casa para resolver um problema de abastecimento de água potável, mas durante o trajeto foi vítima de agressão sexual e posteriormente assassinada. Este acontecimento não só abreviou a vida de uma mãe de duas meninas – de seis anos e oito meses – mas também expôs falhas estruturais em termos de segurança e justiça.
Os números por trás da emergência
De acordo com o Grupo de Estudos da Mulher de Rosario Castellanos (GESMujer), entre dezembro de 2022 e maio de 2025, Oaxaca registrou 237 assassinatos de mulheres. Somente nos primeiros 19 dias de maio de 2025 foram documentados 33 casos, distribuídos em diferentes faixas etárias: sete vítimas tinham entre 30 e 44 anos; cinco eram jovens entre 19 e 29 anos; quatro pertenciam à faixa de 44 a 59 anos; três eram adolescentes (13 a 18 anos); três tinham mais de 60 anos; um tinha menos de 12 anos e em 10 casos a idade não pôde ser determinada. As regiões mais afetadas foram o Istmo e os Vales Centrais, com oito feminicídios cada, seguidos pela Serra Sul (6), Litoral (5), Serra Norte (3), Mixteca (2) e Bacia Papaloapan (1).
Estes dados não reflectem apenas uma crise humanitária, mas também um padrão geográfico e demográfico que exige intervenções específicas. A falta de respostas eficazes por parte das autoridades gerou indignação social, como demonstram as reivindicações dos familiares e amigos de Eliza: “Exigimos que o seu crime não seja apenas mais um caso nas estatísticas. Que as autoridades atuem com a urgência que este horror merece.”
Um apelo à ação coletiva
O feminicídio de Eliza Cruz Zaragoza não é um incidente isolado, mas parte de uma cadeia de violência estrutural que afeta especialmente as mulheres em contextos rurais e marginalizados. As organizações civis insistem na necessidade de protocolos de investigação com uma perspectiva de género, bem como na formação de funcionários para evitar a revitimização. A exigência de justiça transcende o jurídico: implica reparação simbólica, garantias de não repetição e políticas públicas que priorizem a vida das mulheres.
Enquanto o caso segue sob investigação, grupos e familiares mantêm pressão para evitar que fique impune. “Eliza foi morta. E queremos verdade, justiça e reparação”, enfatizam. A sua luta é um lembrete de que cada figura esconde uma história, uma família destruída e uma dívida pendente com o Estado.
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