Um trem, muitos dilemas (e menos algumas árvores)
Ah, o progresso. Aquele conceito que nos vendem com neons e promessas de um “futuro sustentável”, mas que sempre vem com uma conta ecológica escondida em letras minúsculas. O Trem México-Querétaro, aquele mastodonte de aço que promete levar você do CDMX a Querétaro em menos tempo do que o necessário para decidir o que assistir na Netflix, acaba de lançar sua bomba: 90 hectares de vegetação terão que se despedir para que este projeto avance. Sim, você leu certo: 90. Como 126 campos de futebol ou, em termos da geração Y, aproximadamente 1.200 postagens #PlantTok excluídas de uma só vez.
O que se perde (e o que dizem que ganhamos)
De acordo com a Declaração de Impacto Ambiental (ou MIA, para o pessoal), desses 90 hectares, 84 são matagais, 4,8 são vegetação secundária e o resto… bem, digamos que alguns carvalhos e arbustos da floresta decídua baixa terão que se mudar para plantar o paraíso. Claro, eles nos consolam com o fato de que haverá passagens subterrâneas para a vida selvagem (basicamente um metrô para guaxinins) e um programa de realocação que parece tão utópico quanto aquele grupo de WhatsApp em sua vizinhança onde ninguém concorda.
O orçamento? 144 bilhões de pesos, dos quais 10% destinados a medidas ambientais. Ou seja, o equivalente a comprar 720 milhões de cestas de tacos, mas em vez disso, vão investir em compensação ecológica. Isso funcionará? Quem sabe. A verdade é que o trem não será 100% elétrico (surpresa: usará diesel), embora prometa reduzir as emissões em comparação ao caótico autotransporte. Em outras palavras, é como trocar seu hambúrguer duplo de queijo por um simples: menos prejudicial, mas ainda assim sem couve.
A rota do “progresso” (e suas controvérsias)
A rota, que passará por municípios como Cuauhtémoc e municípios como Tlalnepantla, já conta com 40% da faixa de domínio. Os outros 60% precisarão de adaptações, incluindo 49 pontes (algumas novas, outras remodeladas, como aqueles influenciadores que reinventam seu conteúdo a cada seis meses). É claro que em áreas onde já coexiste com o Trem Suburbano, estão descartadas mudanças no uso do solo. Tradução? Menos papelada, mas tanta controvérsia.
E embora o projeto prometa aliviar o tráfego de veículos na rodovia superlotada, não podemos deixar de nos perguntar: a compensação valerá a pena? Por um lado, menos carros; por outro lado, corredores biológicos alterados. Um clássico estilo de governo “Eu te dou, mas eu tiro de você”.
E agora? Se isso te indigna ou te entusiasma (ou ambos), compartilhe esta nota e continue explorando mais sobre infraestrutura sustentável em nossa seção de questões urbanas. Porque no final das contas, o debate não é apenas sobre um comboio, mas sobre que tipo de futuro estamos a construir… e a que custo.
Já imaginou viajar neste trem? Ou você só pensou nos animais deslocados? Compartilhe e participe da conversa! #TrainWithConscience (ou sem ela)




