O INE, árbitro do que é politicamente correto (ou não tão politicamente correto)
Numa reviravolta que ninguém previu (mentira, todos previmos), o Conselho Geral do INE decidiu que não, não iria cancelar as 26 candidaturas da Judiciária que foram identificadas como tendo laços mais duvidosos do que uma novela do narcotráfico. As razões? Crime organizado, violência… mas, surpresa!, verifica-se que “não é o momento processual”. Claro, porque no México os tempos legais são como chuvas torrenciais: vêm quando querem.
E agora, senhores legisladores?
O INE, com a paciência de um avô que explica pela enésima vez como usar o WhatsApp, lembrou ao Senado e à Câmara dos Deputados que a elegibilidade é revista em dois momentos: na avaliação das comissões e após a eleição. Em outras palavras, não é como pedir uma pizza que você cancela se quiser outra cobertura. Aqui existem processos, senhores, processos! Embora, olhando para a história, alguém possa pensar que neste país os processos são mais flexíveis do que um yogini na aula de alongamento.
Para piorar a situação, o INE pediu-lhes gentilmente (leia-se: com ironia institucional) que lhes enviassem os ficheiros das mais de 3 mil candidaturas analisadas. Porque, claro, que melhor momento para começar a verificar os documentos do que quando tudo já está em andamento. Você esqueceu antes? Ou alguém achou que “transparência” era apenas o nome de um filtro do Instagram?
A assessora do presidente, Guadalupe Taddei, lançou a pérola do dia: “Atuamos com autonomia técnica, estritamente de acordo com a lei”. O que, em cristão, significa: “Eles não nos comandam, mesmo que isso os queime”. Claro que deixou claro que o INE não é um adivinho: não vai antecipar julgamentos, mas também não vai fingir que nada acontece. Um equilíbrio digno de um equilibrista.
E enquanto isso, os direitos humanos no limbo
A conselheira Dania Ravel, no modo “estamos fazendo isso seriamente?”, alertou que querer corrigir omissões agora poderia ser pior: “violação dos direitos humanos”. Uau, que novidade: no país onde o devido processo às vezes parece opcional, agora acontece que você tem que seguir as regras. Quem poderia imaginar?
Em resumo: o INE disse “não” (por enquanto), os legisladores ficaram em falta e os candidatos suspeitos ainda estão na corrida. Porque, no final das contas, o que seria da política mexicana sem um pouco de drama, contradições e decisões que deixam todos coçando a cabeça?
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