A cortina sobe para um novo ato de tensão
Transportadores e agricultores não dão trégua. Acabaram de anunciar uma nova greve nacional para 6 de abril, logo após a Páscoa. A razão é clara e contundente: as mesas de negociação com o governo federal, abertas desde o ano passado, não deram frutos. Sua promessa é tornar visível sua crise “sem afetar os dias de folga”. Um gesto calculado, mas o aviso está na mesa.
Por que agora? A palha que quebrou as costas do camelo
David Estévez, presidente da Associação Nacional de Transportadores (ANTAC), disse isso sem rodeios. O objetivo é “paralisar tudo”. Não é uma frase aérea. Por trás disso está uma lista de queixas que parecem um filme de terror para quem dirige um caminhão: insegurança nas estradas, desaparecimentos de colegas e extorsões por parte de… sim, autoridades.
“A falta de interesse oficial gerou frustração entre os setores afetados”, disse Estévez.
Mas aqui está um golpe de mestre em seu discurso. Ele conectou duas crises em uma: a do campo e a dos transportes. Alertou que o aumento dos preços dos combustíveis está a sufocar ambos os sectores. E negou furiosamente os empresários que dizem ter reservas para amortecer o golpe do conflito no Médio Oriente. Para ele, essa afirmação “não é verdade”. É uma chamada direta à atenção para a narrativa oficial.
A mensagem final é uma bomba-relógio. Procuram pressionar o governo antes que os efeitos na economia e na mobilidade se agravem. Entretanto, as autoridades mantêm um silêncio ensurdecedor, sem comentar medidas preventivas. Os líderes insistem: as suas exigências devem ser ouvidas para evitar uma repetição da tensão.
O cenário está montado. Os atores tomaram uma posição. Resta saber se haverá diálogo de última hora ou se no dia 6 de abril o país acordará paralisado.




