O teatro da violência toca um ator político
A linha entre o cenário político e a dura realidade ficou completamente confusa esta manhã em Irapuato. Carlos Abraham Ramos Sotomayor, deputado morenoísta e presidente da Comissão de Justiça local, informou que um negócio de sua propriedade foi atacado a tiros. No incidente, um familiar ficou ferido.
“Dói-me profundamente… reflecte uma realidade que muitas famílias vivenciam todos os dias”, expressou o legislador nas suas redes sociais. “Medo, incerteza e desamparo diante da violência.”.
Suas palavras não são apenas um lamento pessoal. São o eco do que milhares de pessoas sentem todos os dias em Guanajuato. O ataque ocorreu no bairro de Che Guevara, nome que hoje soa como uma cruel ironia.
Um dia negro para a política local
O mais grave é que este não foi um incidente isolado. Horas antes, no município vizinho de Salamanca, um comando tinha privado de liberdade Gerardo Arredondo Hernández, antigo candidato do PAN à presidência municipal. Dois ataques em menos de 24 horas. Duas figuras políticas tocadas pelo mesmo flagelo.
Ramos Sotomayor explicou que seu familiar “atualmente recebe atendimento médico”. De acordo com o relatório do 911, foi um ataque a tiros contra uma loja de frangos onde um homem sofreu ferimentos causados por projéteis de arma de fogo.
Aqui está o verdadeiro drama: quando a violência atinge aqueles que elaboram as leis de segurança, que esperança resta para o cidadão comum? O deputado agora vivencia em primeira mão o que até ontem só via em arquivos. O negócio de sua família se tornou outra estatística sangrenta.
A questão que fica flutuando é incômoda, mas necessária: se isso acontecer com um presidente da Comissão de Justiça, quem está realmente seguro em Guanajuato? A cortina do teatro político acaba de subir para mostrar um cenário muito mais sombrio do que imaginávamos.




