Um herói do povo que não conseguiu escapar de seu próprio roteiro
Parece que o prefeito de Ahome, Gerardo Vargas Landeros, decidiu que as regras são como semáforos no México: sugestões em vez de obrigações. O morenista, deposto pelo Congresso de Sinaloa (sim, o mesmo partido que o levou ao poder), foi preso hoje pelo Ministério Público do Estado depois que seu “problema intestinal” não o salvou da justiça. Quão grave era sua condição? O suficiente para não comparecer para testemunhar, mas não o suficiente para impedir que os agentes da UNESA o levassem da sua casa em Los Mochis. Que surpresa!
A arte de justificar o injustificável
A defesa do prefeito, que em 2021 descobriu que governar é mais divertido com contratos diretos, alegou dor de estômago por não ter comparecido à audiência. O juiz, num ato de compaixão digno de um santo, remarcou a consulta para 12 de junho. Mas o Ministério Público, que parece não ter senso de humor, decidiu que mandados de prisão não são como iogurte: não têm prazo de validade. Então lá estava a UNESA, batendo à sua porta como se fossem cobradores de uma dívida de um milhão de dólares… porque, bem, era isso que eles eram.
O caso gira em torno do aluguel de 126 viaturas pela modesta quantia de 171 milhões de pesos, tudo isso sem passar pelo tedioso processo de uma licitação pública. Porquê preocupar-se com a concorrência quando se pode entregar o contrato à Grinleasing, SAPI de C.V., como se fosse um presente de aniversário? Uma auditoria em 2021 revelou este pequeno “detalhe”, porque no México às vezes a corrupção é tão evidente que até os números gritam.
A licença que ninguém pediu (mas todos previram)
Um dia antes de perder a jurisdição, Vargas Landeros anunciou com orgulho que solicitaria licença de 90 dias para “atender assuntos administrativos e processos de investigação criminal”. Tradução: “Preciso de tempo para encontrar um advogado melhor que o meu.” Num discurso digno de novela, ele declarou: “Não vou me esconder.” E cara, ele entregou: escondeu-se tão bem que a promotoria o encontrou em sua própria casa. Bravo!
Enquanto isso, a vereadora Rosa Margarita Velázquez Valdez (PVEM) assumiu as rédeas do município. Porque na política mexicana, quando um navio afunda, há sempre outro disposto a embarcar… mesmo que já esteja entrando na água.
Moral? Se você vai desviar 171 milhões, pelo menos certifique-se de que sua desculpa médica seja mais confiável do que “minha barriga dói”.
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