O dia em que a justiça disse “pare agora” a um ex-prefeito
Pachuca, Hgo. – Numa reviravolta que ninguém (ou sim, todos) esperava, as autoridades fizeram o que tinham que fazer e detiveram Marcos N, o ex-prefeito de Singuilucan, Hidalgo. A razão? Nada mais nada menos do que um suposto desvio de 126 milhões de pesos no já famoso e verdadeiramente sinistro esquema conhecido como “Golpe Sinistro”. Basicamente, abriram duas pastas de investigação para os crimes de uso ilícito de poder e descumprimento de dever legal agravado. Ou seja, a combinação completa do que um servidor público não deve fazer.
Segundo o responsável pela Procuradoria Geral do Estado de Hidalgo (PGJEH), Francisco Fernández Hasbún, as investigações sobre esta fraude monumental continuam. Tudo indica que este desvio foi arquitetado durante a administração estadual anterior, envolvendo altos funcionários e vários presidentes municipais no saque de recursos federais. Porque, aparentemente, “não circula hoje” não se aplica a más práticas.
A arte de criar necessidades (e desviar lã)
A primeira pasta de investigação, com prejuízo ao erário de 109 milhões e 645 mil pesos, é uma antologia. O ex-prefeito solicitou recursos extraordinários argumentando “necessidades urgentes do município”. O que em teoria se destinava à higienização de áreas comuns, à compra de papelaria, ao aluguer de maquinaria, aos salários ocasionais, aos uniformes e até ao calçado para a protecção civil, terminou em mais de uma centena de contratos com 22 pessoas singulares e colectivas cheios de irregularidades. Ou como chamaríamos: um carrinho de compras com o dinheiro de todos.
Mas a coisa não termina aí, porque há uma segunda parte. Uma segunda pasta, pelo crime de descumprimento de dever legal agravado, corresponde a um prejuízo de 16 milhões e 355 mil pesos. Neste capítulo da saga, nosso protagonista deixou de atender a um processo trabalhista (expediente 253/2016), que resultou em decisão condenatória contra a Câmara Municipal. Ele foi exigido em seis – sim, SEIS! – ocasiões durante sua gestão e, num ato de puro desacato, ignorou as obrigações da decisão, gerando prejuízo milionário às finanças municipais. O nível de comprometimento deles com as pessoas era tão baixo quanto a bateria do seu celular em uma festa.
As consequências (e outros personagens do elenco)
A apreensão do ex-funcionário foi realizada nesta quinta-feira, em cumprimento às ordens de um juiz de controle. Após sua captura, ele foi colocado à disposição da autoridade judiciária, que agora decidirá sua situação jurídica. O PGJEH foi claro: as investigações sobre o desvio de recursos públicos cometidos durante o último mandato de seis anos permanecem abertas no âmbito do Golpe Sinistro.
E para que vocês não pensem que se trata de um show de um homem só, há também a investigação contra o ex-alto funcionário do governo do estado, M.V.O, que já está preso. Esse sujeito enfrenta acusações por desvio de recursos na contratação de seguros catastróficos e, em seu mais recente ato de ousadia, pela venda ilegal de três helicópteros de propriedade do governo do estado. Sim, você leu certo: helicópteros. Aparentemente, M.V.O executou ilicitamente contratos sobre bens móveis, vendendo sem avaliação prévia três aeronaves do Governo de Hidalgo durante sua administração entre 2016 e 2022. Porque quando se trata de peculato, alguns não se contentam com pequenas coisas.
Resumindo, um drama com todos os ingredientes: dinheiro público, poder, negligência e que termina (por enquanto) com prisão. Um lembrete de que às vezes a vida real supera qualquer série de corrupção que você possa transmitir.
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