O ex-presidente que transformou uma fazenda em seu parque aquático pessoal
Porque, claro, que melhor maneira de demonstrar seu amor pela cidade do que desviar 700 mil metros cúbicos de água para sua chácara? Claudia Sheinbaum, em seu papel de heroína antivilã, anunciou que Conagua apresentará uma queixa criminal contra o ex-governador de Chihuahua, César Duarte, por se apropriar do líquido vital como se fosse sua garrafa de água pessoal na academia. Claro que com estilo: construiu uma barragem, quatro barragens e um poço. Nada mal para quem, teoricamente, deveria zelar pelo bem comum.
A água pertence a todos, mas alguns acreditam que é Poseidon
O presidente, com a paciência de quem explica pela enésima vez que não pode ser roubada, lembrou que a água é um recurso nacional. “Existem mecanismos de concessões”, disse ele, como se falasse com uma criança que insiste em enfiar o dedo na tomada. Mas, surpresa surpresa, Duarte e seus comparsas decidiram pular esse detalhe. Razão? Provavelmente a mesma razão pela qual os políticos pensam que são imunes às regras: só porque.
Enquanto isso, Conagua faz malabarismos para resolver o desastre. Revem concessões, obrigam à regularização de usos ilegais (como aqueles que dizem “é para irrigação”, mas na verdade constroem condomínios) e, no processo, tentam fazer com que alguém pague pela água. Revolucionário, certo?
O juiz que sempre diz “não”
Para acrescentar drama, um juiz (o mesmo que impediu a entrega de livros didáticos, pois que prioridade melhor do que proteger os políticos?) concedeu uma liminar para impedir a demolição de obras ilegais. Porque, claro, proteger presas clandestinas é claramente uma questão de direitos humanos. Efraín Morales López, de Conagua, deve estar pensando em enviar ao magistrado um manual básico sobre “Como não ser cúmplice”.
Enquanto isso, o Plano Nacional da Água continua com 17 projetos estratégicos, porque alguém tem que fazer o trabalho sujo de levar água a quem precisa… e não a quem a acumula. Entre eles, projetos em Acapulco, no Estado do México e até um aqueduto em Tamaulipas. Mas atenção, tudo isso custa 15.729 milhões de pesos. Dinheiro que, ironicamente, poderia ter sido economizado se alguns não brincassem de serem donos da água.
E a tecnologia? Ah sim, isso é importante
Para não ficar para trás, a Conagua também avança na modernização dos distritos de irrigação. Porque, de que adianta regar com mangueira se você pode fazer isso com 6.136 milhões de pesos em tecnologia? É claro que alguns projetos são mais rápidos que outros. Os de Chihuahua, por exemplo, ainda estão em processo. Talvez devessem começar recuperando a água que já foi roubada.
De qualquer forma, enquanto Duarte e sua comitiva jurídica brincam de gato e rato, o resto do país continua esperando a água chegar sem ter que pedir permissão a um ex-governador. Mas, ei, pelo menos temos o consolo de que alguém está contando os metros cúbicos… mesmo que seja depois do roubo.
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