A justiça age após o caos na final
Um tribunal marroquino acaba de proferir uma decisão. Dezenove torcedores, dezoito senegaleses e um francês, enfrentam penas de até um ano de prisão pelos atos de vandalismo que marcaram a final da Copa das Nações Africanas entre Marrocos e Senegal.
A audiência foi intensa, durando mais de cinco horas. Os juízes os consideraram culpados de acusações como danificar instalações esportivas e cometer atos violentos durante um evento. Onze pessoas receberam a pena máxima: um ano e multa considerável.
“Onze pessoas foram condenadas a um ano de prisão e multadas em US$ 550”, confirmou a advogada Naima El Guellaf à Associated Press.
A cena na sala era dramática. Um réu desmaiou ao ouvir o veredicto. Outros recusaram-se a levantar-se do cais quando foram ordenados a ir para as celas. Os familiares, visíveis e chocados, insistiram na sua inocência.
Uma reação excessiva que manchou o jogo
Tudo começou no mês passado, naquela partida decisiva. Torcedores indignados tentaram invadir o campo para protestar contra o pênalti concedido ao anfitrião Marrocos. O Senegal acabou vencendo por 1 a 0, mas a vitória foi ofuscada.
O acusado estava detido há mais de um mês aguardando esta decisão. Seus advogados já anunciaram que vão recorrer, por considerarem as sentenças muito duras.
Durante o julgamento, com a presença de diplomatas senegaleses e franceses, a defesa argumentou que não havia motivos suficientes para condenar. O procurador não cedeu: pediu penas máximas, alegando que alteraram o desenvolvimento do jogo e causaram danos avaliados em quase meio milhão de dólares.
Isto é comum em Marrocos, onde os tribunais tratam frequentemente de casos relacionados com o futebol. O incomum aqui é que só envolvia estrangeiros.
As convicções são apenas parte do problema derivado daquele final turbulento. A CAF já impôs multas milionárias a ambas as federações pelos incidentes. E o mais importante: altos funcionários de ambos os países tiveram de sair para reforçar os seus laços “fortes e históricos” para evitar que um partido prejudicasse relações muito mais valiosas.
No final, o esporte nos ensina lições difíceis. A paixão não pode se transformar em destruição. A derrota dói, sim, mas existem maneiras decentes de lidar com isso. E a vitória sabe melhor quando é celebrada com respeito.




