O curioso caso do banco que preferiu desaparecer
Parece que o CIBanco decidiu que era melhor momento para fechar do que para explicar. Diante dos pequenos e insignificantes detalhes das alegações de operações de lavagem de dinheiro, a instituição financeira optou pela estratégia do avestruz, mas com uma diferença: em vez de esconder a cabeça, esconde toda a empresa. A partir de 13 de outubro, clientes entusiasmados que ainda acreditavam em fadas e em bancos estáveis começarão a receber pagamento por seus recursos. Que gentil, certo? Afinal, é apenas o seu dinheiro.
O Instituto de Proteção à Poupança Bancária (IPAB), numa explosão de generosidade condicional, anunciou que os depósitos no CIBanco serão cobertos por até 400 mil Unidades de Investimento (UDIS), o que traduzido para a linguagem das pessoas comuns é de aproximadamente 3 milhões e 424 mil pesos por pessoa. Um valor alto o suficiente para fazer você se sentir protegido, mas confuso o suficiente para precisar que um contador lhe explique se o que você tem na conta é suficiente para um café ou para comprar uma ilha.
Confiança, aquele frágil castelo de cartas
Numa declaração que beira a poética, o banco afirmou: “O público poupador do CIBanco pode ter confiança de que os seus depósitos estão protegidos”. Claro, porque nada inspira mais confiança do que um banco que fecha devido a supostas atividades criminosas e diz para você confiar nele. É como se um fantasma garantisse que sua casa não é mal-assombrada.
Mas preste atenção aos detalhes! Essa proteção mágica do IPAB se aplica a contas de poupança, folha de pagamento e depósitos a prazo. No entanto, se você é um daqueles investidores sofisticados que interpreta Warren Buffett com empresas de investimento, títulos negociáveis ou “instrumentos complexos” (um termo que soa como algo que um neurocirurgião usaria), sinto muito, mas você está tão protegido quanto um sorvete no deserto. O objetivo, dizem-nos, é garantir que os clientes com depósitos tradicionais recebam o seu dinheiro de volta com segurança. Porque, aparentemente, ser tradicional agora tem as suas vantagens.
E aí vem a parte mais deliciosamente absurda desse melodrama financeiro: enquanto suas economias recebem esse abraço protetor, se você tem um empréstimo atual com o CIBanco, sua obrigação de pagar ainda está mais viva do que nunca. A liquidação não extingue as obrigações de pagamento, alertou a agência. Ou seja, eles podem deixar de existir como banco, mas você não pode deixar de pagá-los. Uma justiça poética que Kafka acharia fascinante.
O grande teatro financeiro mexicano
Para não perder o costume burocrático, o IPAB disponibilizou seu site para que os interessados possam consultar mais detalhes sobre o processo de pagamento. Claro, desde que você tenha paciência para navegar em um site do governo, onde as informações muitas vezes ficam tão bem escondidas quanto o senso de humor de um tabelião.
Enquanto isso, as agências do CIBanco permanecerão fechadas a partir de sexta-feira, 10 de outubro. Imagine a cena: clientes chegando com seus talões de cheques, apenas para encontrar uma porta fechada e uma placa que basicamente diz “A festa acabou”. É o equivalente financeiro de chegar a um restaurante e encontrar uma placa de “Fechado por falta de higiene”.
Esse espetáculo começou quando o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos apontou não só o CIBanco, mas também a Intercam e a Vector Casa de Bolsa. As três instituições financeiras foram intervencionadas pelas autoridades mexicanas, o que desencadeou uma espécie de venda de garagem financeira onde o CIBanco vendeu o seu negócio fiduciário à Multiva e a sua carteira de crédito automóvel ao Bancoppel. Pergunta-se: haverá descontos para compras a granel?
E a reviravolta final: verifica-se que foi o próprio CIBanco quem decidiu solicitar voluntariamente a sua revogação e liquidação. Qual é, eles não o expulsaram, ele queria ir embora! É como quando um aluno sai da escola pouco antes de ser expulso por colar, para poder dizer que saiu por vontade própria. Uma estratégia digna de um político experiente.
Neste fascinante mundo das finanças, onde as aparências importam mais do que a realidade, os aforradores comuns podem respirar (parcialmente) tranquilos, enquanto os investidores sofisticados aprendem da maneira mais difícil que a complexidade por vezes tem um preço mais elevado do que o esperado. E os devedores, bem, continuarão a pagar a hipoteca a um banco que tecnicamente já não existe. Porque no universo bancário algumas obrigações são mais eternas que o amor.
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