O pequeno palhaço que cantou para gerações
Se você é mexicano e comemorou aniversário quando criança, conhece a regra: antes do bolo vem Cepillín. A versão deles de “Las Mañanitas” é a trilha sonora oficial de piñatas e balões. Neste sábado, o chamado palhaço da TV completaria 80 anos.
Por trás da maquiagem estava Ricardo González Gutiérrez, natural de Monterrey, nascido em 1946. De família humilde e pai rígido, seus sonhos artísticos colidiram com a realidade. Para agradar aos pais, ele estudou… Odontologia!
De dentista a estrela infantil
A carreira que escolheu por obrigação acabou lhe proporcionando uma grande oportunidade. Na faculdade, fiz cápsulas sobre higiene bucal para crianças. Um colega ator, Germán Robles, sugeriu que ele se vestisse de palhaço para que os mais pequenos não tivessem medo dele. A ideia foi um sucesso total.
“A ideia partiu do ator Germán Robles, que o ajudou a criar o design da maquiagem”
Seu carisma na tela lhe rendeu um programa diário em Monterrey que durou seis anos. Mas o grande salto viria depois de um revés. Ao chegar à Cidade do México, o apresentador Raúl Velasco o expulsou da Televisa dizendo que não apoiava novos talentos.
Cepillín não desistiu. Voltou no dia seguinte com um vídeo de seu trabalho que chegou às mãos de Emilio Azcárraga Milmo. Essa persistência deu-lhe o seu próprio programa nacional, “El Show de Cepillín”, que foi ao ar durante três anos e o tornou famoso em toda a América Latina.
Paralelamente à TV, gravou discos repletos de sucessos infantis: “A feira Cepillín”, “Tomás”, “Em uma floresta na China”. Essa fama o levou a fazer shows privados para… todos os tipos de público.
“ele trabalhou para todos os tipos de pessoas, incluindo alguns dos maiores chefes”
Seu ritmo era frenético. Além da TV e da música, criou o Cepillín Circus que percorreu todo o continente. Esse esforço teve seus efeitos: ele sofreu três ataques cardíacos entre 2005 e 2015.
Apesar do sucesso financeiro no auge, ele nunca acumulou uma grande fortuna. Ajudava constantemente a família – casas, casamentos, despesas – convencido de que não tiraria nada. Essa filosofia o deixou com pouco quando surgiram problemas médicos.
Em fevereiro de 2021, uma queda o levou ao hospital onde descobriram um câncer avançado na coluna. Ele morreu em 8 de março de ataque cardíaco agudo.
Seu legado permanece sempre que alguém apaga as velas e toca Essas são as mañanitas…. Como ele mesmo disse:
“Quero que você se lembre de mim como uma boa pessoa, como alguém que tentou não machucar ninguém”
E cara, ele conseguiu isso. Gerações inteiras lhe devem sorrisos.




