Apoio desconfortável do Canadá
Mark Carney, o primeiro-ministro do Canadá, acaba de lançar uma bomba diplomática durante a sua viagem à Austrália. Apoiou os ataques contra o Irão, mas com um sabor amargo na boca. “Com algum pesar” foram suas palavras exatas.
Por que o arrependimento? Porque para ele, esta acção é o sintoma mais extremo de um sistema global que se desmorona diante dos nossos olhos.
Um mundo sem regras
Carney disse isso claramente no Lowy Institute em Sydney:
“Do ponto de vista geoestratégico, as potências hegemônicas agem com cada vez menos restrições ou respeito pelas normas ou leis internacionais, enquanto outras suportam as consequências.”
E concluiu com o óbvio: “Agora, os extremos desta perturbação estão a manifestar-se em tempo real no Médio Oriente.”
Aqui está a parte mais interessante: o Canadá não foi consultado. Nada. Zero.
“Não fomos informados antecipadamente, não fomos convidados a participar”, confessou Carney à imprensa que o acompanhava. E acrescentou: “À primeira vista, parece que estas ações são incompatíveis com o direito internacional.”.
Mas tenha cuidado, não molha nada. Ele diz que determinar se houve estupro é “um julgamento que corresponde aos outros”. Diplomacia clássica.
A posição canadense: realismo com arrependimento
O Canadá não mantém relações com o Irão há 15 anos. No ano passado, ele até designou a Guarda Revolucionária como entidade terrorista. Eles apoiam a prevenção de Teerã de obter armas nucleares.
Mas Carney insiste:
“Estamos enfrentando ativamente o mundo como ele é, e não esperando passivamente pelo mundo que gostaríamos que fosse.”
E então vem a chave: “Mas também adotamos esta posição com algum pesar, porque o conflito atual é mais um exemplo do fracasso da ordem internacional.”
Sua crítica é dupla:
- A ameaça nuclear iraniana persiste após décadas de esforços da ONU.
- Agora, os EUA e Israel agem sem envolver a ONU ou consultar aliados como o Canadá.
Olhando para o futuro com a Austrália
Para além do conflito imediato, Carney voltou aos temas de Davos: a crise da ordem mundial e como as regras antigas são apagadas.
O Canadá e a Austrália procuram reforçar a sua cooperação em áreas estratégicas:
- Minerais críticos (ambos têm reservas enormes)
- Inteligência artificial
- Tecnologias de defesa
O objetivo? Construir “a maior reserva mineral nas mãos de nações democráticas confiáveis”. Um bloqueio contra outros poderes.
Resumindo: Carney pinta um quadro sombrio onde as ações necessárias prejudicam, porque mostram que o sistema que deveria impedi-las já não funciona. Ele apoia, mas tem um gosto ruim. Um realista desencantado.




