O jogo das cadeiras (técnicas) para salvar o T-MEC
O governo e as grandes empresas já estão em modo de preparação de trincheiras. Ativaram cinco grupos de trabalho especializados para a próxima revisão do T-MEC. O objetivo oficial: “preparar posições e estratégias” em setores-chave. Os principais tópicos são automóveis, aço, alumínio, produtos farmacêuticos e dispositivos médicos.
Parece técnico e chato? É a parte mais interessante. Porque isso não é novo, apenas tem outro nome.
“Essas tabelas substituem o antigo esquema conhecido como Quarto de Junto”, explicou José Medina Mora, presidente do Conselho Coordenador Empresarial.
Tradução: Eles costumavam se reunir em uma sala separada durante as negociações. Agora fazem isso mais cedo, de forma “especializada”. O Ministério da Economia solicita contribuições específicas do sector privado para “fortalecer a posição do país”. Isto é, para que as grandes corporações possam dizer o que é melhor para elas o México pedir.
Empresários já têm malas prontas para Washington
Medina Mora foi clara: o setor privado terá participação ativa diretamente nas negociações com os Estados Unidos e o Canadá. A sua missão declarada é manter uma “abordagem trilateral”. Mas também admitiu o óbvio: haverá conversações bilaterais por baixo da mesa, especialmente sobre regras de origem e cadeias de abastecimento.
Enquanto isso, a Confederação Patronal (COPARMEX) promete “diálogo construtivo” com as autoridades americanas. Mas nas entrelinhas eles liberam a verdadeira preocupação:
A revisão do tratado gera incerteza no investimento. Tradução novamente: muito dinheiro fica nervoso quando você toca em seu brinquedo favorito. É por isso que clamam por “certeza e segurança”. Para eles, é claro.
Aqui está o detalhe que ninguém menciona na coletiva de imprensa: essas tabelas “técnicas” definem o que é negociado e o que não é. O verdadeiro poder não está em quem assina, mas em quem escreve as letras miúdas antes de se sentar à mesa.




