O Judiciário, vítima colateral de um reality show político
Ah, política mexicana. Aquele lugar onde os debates se medem não pela profundidade dos argumentos, mas pela criatividade dos insultos. Ricardo Anaya, coordenador do PAN, decidiu que o domingo passado não era só o dia do Senhor, mas também o dia de “fazer merda à Judiciária” (palavras dele, não nossas). Segundo ele, os avaliadores e magistrados eleitos são tão competentes quanto um polvo num torneio de mergulho. Mas quem precisa de experiência quando se tem lealdade partidária, certo?
Gráficos voadores e ditados escatológicos
O debate na Comissão Permanente do Congresso teve de tudo: desde o roubo de um gráfico (sim, como na escola primária) até uma master class sobre provérbios populares adaptados ao século XXI. Anaya, com a elegância de um elefante numa loja de porcelanas, deixou escapar: “O cocô flutua e já começou a flutuar.” Um provérbio que, sem dúvida, Aristóteles teria emoldurado em sua sala. O presidente do Conselho de Administração, Gerardo Fernández Noroña, pediu-lhe gentilmente que deixasse a linguagem escatológica para seus memes, mas Anaya, como uma criança rebelde, respondeu: “Mas vocês também dizem ‘merda’ no Twitter!” Toquem seus corações, senhores, quem não insultou Donald Trump nas redes sociais?
Com o gráfico morenista em mãos (adquirido em circunstâncias duvidosas), Anaya demonstrou que 9 em cada 10 mexicanos repudiaram a eleição judicial. Ou isso, ou 3,5 milhões de cidadãos simplesmente anularam o seu voto ou foram enganados (pesquisas rigorosas, claro). E então eles reclamam da polarização.
O duelo de egos: quem tem mais direito de insultar?
Noroña, cansado de ter sua autoridade (e seu vocabulário) questionados, deixou escapar: “Eu decido quando lhe dou o uso da palavra, seu pedaço de… político.” Uma frase que, se analisarmos, contém mais reticências do que diplomacia. Anaya, em resposta, o chamou algumas vezes de “covarde”, porque na política a repetição é fundamental para dar ênfase. O clímax veio quando Noroña ameaçou “descer e responder a ele como ele merece”. Alguém pediu pipoca?
Enquanto isso, o Judiciário continua lá, esperando que alguém leve a sério. Mas por que se preocupar com a independência judicial quando você pode ter um debate digno de um bar?
Gostou deste circo? Compartilhe nas redes e não perca o próximo capítulo de “México: Democracia ou novela”. Ou há diferença?




