Quando o futebol se torna uma terapia (e as celebridades se tornam embaixadoras de tudo)
Ah, Guadalajara. Aquela cidade onde a tequila flui livremente e, aparentemente, a solidariedade também. Porque nesta quarta-feira, 12 de junho, enquanto alguns comuns mortais discutem se o VAR estragou ou não o jogo, Alfonso Herrera –sim, o mesmo que nos fez chorar em “Rebelde” e depois em “Sense8”– participará de um painel intitulado com aquele otimismo digno de Disney: “Mais que um clube: Unidos somos esporte, refúgio e esperança”. Parece um slogan de uma ONG? Exato. Porque é.
O evento, parte do 40º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara (FICG), incluirá um pequeno documentário (porque nada diz “mudança social” como um bom documento em HD) e uma palestra onde, supostamente, será demonstrado que o esporte pode ser mais útil do que um psicólogo para crianças refugiadas. Exagerado? Talvez. Mas com o envolvimento da Fundação FC Barcelona e do ACNUR, pelo menos terá um bom orçamento.
Os outros convidados: quando o futebol e a diplomacia andam de mãos dadas
Como se o destaque de Pacho – desculpe, Alfonso Herrera – não bastasse, o painel incluirá Marta Segú Estruch, diretora da Fundação Barça (que, aliás, gasta mais em projetos sociais do que Barcelona em contratações este ano), e um representante do ACNUR México. Juntos falarão sobre como o futebol pode “melhorar a vida dos jovens deslocados”. Spoiler: não se trata de marcar gols, mas sim de dar um senso de comunidade. Embora uma meta nunca seja ruim para a autoestima.
Herrera, nomeado Embaixador da Boa Vontade em 2020 (sim, no mesmo ano em que todos nos tornámos especialistas em pandemias), até viajou para o Uganda em Janeiro para ver como o projecto funciona nos assentamentos de refugiados. O que você aprendeu? Esse esporte ajuda a saúde mental. Uau, e pensamos que era só para evitar que Messi ficasse entediado no PSG.
A experiência de Uganda: futebol, trauma e um ator mexicano
Em suas próprias palavras, o ator afirmou: “Conheci muitos jovens refugiados que sofreram perdas e enfrentam desafios de saúde mental. Através do esporte, eles encontraram pertencimento e comunidade.” Isso é basicamente o que qualquer liga amadora promete, mas com mais trauma envolvido.
Uganda, aliás, é o país africano que mais acolhe refugiados (1,8 milhões, para ser exato). Lá, o projeto do Barça e do ACNUR beneficiou mais de 8.400 jovens. Como? Com espaços seguros para brincar, aprender e – atenção – “recuperação emocional”. Porque nada cura melhor o estresse pós-traumático do que um bom passe.
A entrada no evento será gratuita, embora – ironia do destino – o espaço seja limitado. Então se você quer ver um ator, um diretor de fundação e um diplomata falando de futebol como se fosse a panacéia universal, corra (ou melhor, faça uma corrida humanitária) até a Ágora Jenkins.
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