De baterista a vocalista: a irônica reinvenção de Alfonso André
Imagine isto: depois de passar décadas escondido atrás de uma bateria como se fosse o Batman do rock mexicano (mas com menos capa e mais pratos), Alfonso André decidiu que era hora de sair do anonimato rítmico. Sim, o mesmo que acompanhou Caifanes e Jaguares agora está na frente do microfone como se sempre tivesse estado ali. Spoiler: não foi tão fácil quanto subir no palco e fingir que sabe o que está fazendo.
Da “Quarta-feira de Cinzas” ao Cerro del Aire: a jornada do baterista que se cansou de ser suporte
Tudo começou em 2011, quando André — depois de anos sendo o cara que ninguém via no palco — lançou o Cerro del Aire. A desculpa? “Eu queria fazer algo com a minha voz”, disse ele, como se mudar de instrumento fosse tão simples quanto decidir entre tacos de pastor ou suadero. Claro que não foi um salto no vazio: durante a sua passagem pelo Jaguares, já tinha assumido o papel de cantor de “Quarta-feira de Cinzas”, graças ao facto de Saúl Hernández andar por aí com a voz em frangalhos. “Ah, então você canta”, disse-lhe Saúl, no que poderia ser o equivalente musical de “me faça parar”. E assim, sem querer, nasceu um frontman.
Mas nem tudo é ótimo. Sua estreia solo coincidiu com a volta épica de Caifanes, o que basicamente fez com que seu projeto passasse despercebido como um meme esquecido. Mesmo assim, André persistiu, porque o que há de mais millennial do que insistir num sonho mesmo que o algoritmo não te favoreça?
Guadalajara, a cidade que o adotou (e onde ele não precisou se esconder atrás dos tambores)
No próximo 11 de maio, Alfonso retornará a Guadalajara com sua banda (sim, ele insiste que é uma banda, não um “projeto solo”, porque seu ego não cabe na mala). Tocará no Anexo Independencia, acompanhado por músicos como Federico Fong e Chema Arreola, porque até os rebeldes precisam de equipamentos. No setlist haverá músicas de seus álbuns Cerro del Aire e Mar Rojo, além de ocasionais singles pandêmicos como “Rezo” (que, aliás, incluiu uma participação especial de bateristas famosos, porque você nunca pode abandonar completamente o primeiro amor).
Guadalajara não é uma cidade qualquer para ele. Foi o primeiro lugar fora do CDMX onde tocou com Las Insólitas Imagens de Aurora nos anos 80, viajando de trem como se fossem protagonistas de um filme independente. “Eles nos receberam de braços abertos”, lembrou, provavelmente sem imaginar que décadas depois continuaria repetindo a dose, mas agora como quem canta.
E se isso não bastasse, em breve lançará “Vela”, uma música inédita que promete ser tão introspectiva quanto seu humor. Porque, no final das contas, o que há de mais sarcástico do que um baterista que virou cantor e ainda sente falta da bateria? “Prefiro estar atrás dos pratos”, confessou, mas aqui está ele, fazendo fila para o centro do palco.
Quer ver ao vivo? O show será no dia 11 de maio no Anexo Independência. Ingressos a partir de US$ 500 em roomers.mx. E se você for, não grite com ele “toque bateria!”, ele vai ficar ofendido.
Gostou dessa história? Compartilhe e continue explorando mais rock com identidade em nossas redes. #NotOnlyADrummer




