Um espetáculo que até cavalos famosos invejariam
Parece que a Lei da Montanha de Hidalgo, Texas, decretou que ninguém poderia ficar de fora de Palenque quando Alejandro Fernández decidiu transformar a Payne Arena em seu próprio feudo musical. Houve El Potrillo, provando que a árvore genealógica importa quando seu pai é uma lenda da canção ranchera.
Com uma casa cheia que faria qualquer promotor chorar de emoção, o performer subiu ao palco com aquela elegância charro que parece herdada geneticamente. Não contente em vestir um terno charro que brilhava mais do que as esperanças de seus fãs, ele passou a liderar um coro monumental de milhares de pessoas que, aparentemente, conheciam seu repertório melhor do que seus próprios aniversários.
De homenagem em homenagem, porque nesta família as tradições não se perdem
Durante mais de duas horas – que para os presentes devem ter parecido minutos – o artista navegou entre a homenagem ao seu pai Vicente Fernández e os seus próprios sucessos musicais. Porque que melhor maneira de homenagear o Charro de Huentitán do que transformar o local em uma gigantesca pousada musical onde se tocavam clássicos como For your maldito amor e Volver, Volver, como se o tempo não tivesse passado.
Mas a verdadeira surpresa veio quando, depois de homenagear o legado da família, Alejandro decidiu que era hora de cantar My Way, de Frank Sinatra. Uma declaração de princípios tão sutil quanto um mariachi às três da manhã. “Olha pai, eu respeito muito você, mas também tenho meu estilo”, ele parecia dizer a cada nota.
A turnê De Rey a Rey provou ser mais do que um simples slogan de marketing. Entre famosas corridas de cavalos e baladas que fizeram o público suspirar, o cantor mostrou que pode manter viva a memória do pai enquanto constrói seu próprio reinado. Uma grande conquista, considerando que encher as botas -e o chapéu- de tal lenda não é uma tarefa fácil.
Quando o palco vira terapia coletiva
Em sua segunda aparição, já com uma roupa mais informal (porque até os charros às vezes precisam relaxar), Alejandro lançou-se em seus próprios sucessos. De dediquei-me a perder você a Minha voz se foi, ele transformou a noite em uma sessão de catarse coletiva onde milhares de pessoas esqueceram seus problemas cantando sobre desgostos e paixões não correspondidas.
O momento mais surreal aconteceu quando, depois que o público o obrigou a voltar ao palco (porque no mundo da música mexicana os artistas nunca saem, o público os deixa ir), ele surpreendeu com os Parabéns do grupo Firme. Porque nada diz “adeus” como uma música normalmente associada a aniversários.
Como toque final, ele encerrou com seu clássico Como se alguém perdesse uma estrela, sob uma ovação que provavelmente foi ouvida até no México. Mas não sem antes pedir aplausos para seus músicos e seus mariachis, pois até os gênios precisam de uma boa equipe de apoio. Sua despedida, gritando Viva México! no Texas, foi o lembrete perfeito de que a música não conhece fronteiras.
Para encerrar a noite, recebeu um reconhecimento por sua participação no Legendario Palenque de Hidalgo. Porque nada melhor do que um troféu para atestar o óbvio: encher um espaço até a borda e manter milhares de pessoas entretidas por horas merece mais do que simples aplausos.
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