Agricultores sitiam o Congresso em uma batalha épica pela água

O campo mexicano enfrenta o poder legislativo numa batalha crucial pelo controlo do líquido vital, enquanto o governo defende uma reforma histórica.

O campo aumenta: um cerco de aço e convicção

O coração da democracia mexicana, a Câmara dos Deputados, testemunhou um capítulo que permanecerá gravado na memória nacional. Não foi uma sessão comum, mas um cerco imparável. Dezenas de colossos de aço, tratores que normalmente cortam a terra, foram transformados em barricadas de protesto, selando uma entrada para o recinto legislativo num ato de desespero e poder. O seu grito de guerra foi claro e alto: uma rejeição visceral da nova legislação hidráulica promovida pelo governo de Claudia Sheinbaum, uma regulamentação que promete reescrever as regras do jogo sobre o controle, concessões e uso do precioso ouro líquido: a água.

Este episódio dramático eclodiu quando ainda pairava no ar o aroma do frágil acordo que dias antes acalmou os bloqueios nas estradas do país. Contudo, para um corajoso grupo de agricultores do centro e do leste do país, a trégua acabou. Com as almas em chamas e os punhos cerrados, marcharam em direcção ao epicentro do poder para enfrentar a sombra de uma nova Lei Geral das Águas e da reforma da Lei Nacional das Águas, que a maioria dominante na câmara baixa se preparava para discutir. Foi o momento da verdade, o momento em que o destino dos seus sulcos e sementes parecia estar por um fio legislativo.

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Um recurso na corda bamba: direitos, seca e um futuro incerto

Na linha de frente desta batalha, com o rosto marcado pelo sol e pela preocupação, levantou-se a voz de Octavio Lomelí, um agricultor de 66 anos cuja vida fluiu ao longo dos canais de irrigação. Suas palavras, carregadas de angústia de gerações, ecoaram como um trovão diante das portas do Congresso: “Queremos que nossos direitos à água sejam respeitados”. Para ele e seus colegas, a iniciativa de Sheinbaum não é uma simples lei; É uma sentença que poderá estrangular a actividade agrícola em regiões que já morrem sob o implacável jugo da seca. Era o fantasma da ruína espreitando seus planos.

A tensão aumentou até um ponto sem volta. Eraclio Rodríguez Gómez, líder da Frente Nacional para o Resgate do Campo Mexicano, declarou o estado de “alerta máximo”. O horizonte parecia sombrio, com a ameaça concreta de dificuldades catastróficas para a irrigação dos campos. A legislação em questão prometia um novo modelo de gestão draconiano: proibiria a transferência de concessões de água entre indivíduos e qualquer mudança de uso sem a aprovação da todo-poderosa Comissão Nacional de Águas (Conagua). Controle centralizado; autonomia, restringida.

Diante deste muro de descontentamento, o Presidente Sheinbaum permaneceu como uma estátua de firmeza. Em sua posição matinal, ele descartou friamente qualquer contratempo. A sua missão, proclamou, era titânica e sagrada: “proteger os recursos naturais, prevenir a sua sobre-exploração e garantir o direito à água, e deixar de ver a água como uma mercadoria”. Ele acusou as sombras da desinformação de alimentar as chamas do protesto, insinuando que por trás da raiva estavam apenas aqueles com “concessões de água” em excesso, ou mesmo ilegais, que agora teriam que “se colocar em ordem“. Foi o choque de duas narrativas épicas: a defesa do bem comum contra a luta pela sobrevivência económica.

Este drama não nasceu ontem. Na semana anterior, o país já tinha sido abalado com bloqueios simultâneos em sete estados, onde agricultores e transportadores uniram forças contra um inimigo multifacetado: a insegurança, a ameaça de novas regulamentações hídricas e a exigência de preços justos para o milho e o trigo. Essa rebelião foi apaziguada com promessas e acordos, mas a calma foi apenas o prelúdio para a tempestade perfeita que agora desabafava a sua fúria perante o Congresso. A batalha pela água, o recurso mais vital, atingiu o seu capítulo mais dramático e decisivo, onde cada palavra, cada voto e cada trator representaram um ponto de viragem na história do México.

Para que lado fluirá o futuro? Esta história está apenas começando a ser escrita. Se essa luta entre a terra e a lei deixa você em suspense, compartilhe este artigo para que mais pessoas conheçam esse conflito crucial e explorem mais conteúdo relacionado a notícias nacionais e direitos sociais em nossa seção de notícias.

INEHRM torna-se centro de investigação e ensino

O INEHRM é transformado em centro de pesquisa e ensino sob a nova secretaria.

Transformação do INEHRM

A presidente Claudia Sheinbaum assinou o decreto que transfere o Instituto Nacional de Estudos Históricos das Revoluções do México (INEHRM) para a Secretaria de Ciência, Humanidades, Tecnologia e Inovação (SECIHTI). O instituto passa a ser um órgão público descentralizado com foco acadêmico.

Rosaura Ruiz Gutiérrez, chefe da SECIHTI, explicou que o novo esquema irá formar especialistas em história para fortalecer as capacidades nacionais em ciências sociais e humanas.

Felipe Arturo Ávila Espinosa, diretor do INEHRM, explicou que os planos de estudos vincularão o conhecimento histórico aos problemas sociais, econômicos, políticos e culturais do país, e atenderão às necessidades da Administração Pública Federal.

Oferta educacional híbrida

A oferta incluirá licenciaturas em História, Ciências Sociais e Humanas, e Administração Pública e Bom Governo. Na pós-graduação, serão acrescentados mestrados em Humanismo Mexicano, Estudos de Gênero e Feminismo e Movimentos Sociais e Resgate da Memória Histórica. Haverá também especialidades em Comunicação Política e Ensino de História.

Os graduados cobrirão temas como agrarianismo, saúde, migração, inteligência artificial, violência e direitos humanos.

Sede e chamada

A nova sede ficará na Rua Guatemala 80, Centro Histórico da Cidade do México. O primeiro edital será lançado em julho e as aulas terão início em setembro.

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Ministério Público concede medidas de proteção a vítima de violência familiar

A Promotoria de Morelos emitiu medidas de proteção após denúncia de violência familiar contra o ex-diretor da Pemex.

A Procuradoria Geral de Morelos ativou medidas de proteção a favor de Felicia Jiménez Lavie, que apresentou queixa por violência familiar contra seu marido, Víctor Rodríguez Padilla, ex-diretor da Pemex. A informação foi relatada pelo promotor Fernando Blumenkron Escobar.

As medidas, explicou o responsável, estarão disponíveis quando a vítima as exigir. A denúncia foi apresentada na Cidade do México e a Secretaria da Mulher do Governo do México acompanha diretamente o caso.

Investigação em andamento

Até agora, Jiménez Lavie não se dirigiu ao Ministério Público local para contribuir com mais elementos para a pasta da investigação. A ação foi iniciada ex officio na última sexta-feira, 26 de junho, após a divulgação de um vídeo com imagens de agressões contra a mulher.

Blumenkron garantiu que o portfólio continua sua integração. “O processo não parou e vamos continuar a garantir justiça à vítima”, afirmou. Além disso, indicou que há articulação com a Secretaria da Mulher e o Ministério Público da capital, na rota de atendimento às vítimas de violência familiar.

Dentre as ações realizadas, a Promotoria de Morelos busca localizar o endereço onde ocorreu a agressão física, para realizar laudos periciais de acordo com as imagens do vídeo veiculado pela própria vítima.

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Trump não estende T-MEC: México enfrenta revisão anual

EUA rejeitam extensão automática do T-MEC; a validade é reduzida para 10 anos com revisão anual.

Rejeição de extensão automática

Os Estados Unidos decidiram não renovar automaticamente o Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC) por 16 anos. Isto reduz a sua validade para uma década com uma revisão anual. A medida gerou preocupação entre os legisladores mexicanos.

Ricardo Monreal, coordenador do Morena em San Lázaro, explicou que o tratado permanece em vigor por mais 10 anos, mas sujeito a avaliação a cada ano. Ele observou que os Estados Unidos apresentaram 54 observações, incluindo questões como a toninha-vaquita e a pirataria. O México, por sua vez, levantou 13 pontos, incluindo a cláusula 232 sobre tarifas.

“Só que será revisto ano após ano, mas o Tratado não está concluído, continua por mais 10 anos porque foi assim que foi assinado há seis anos”, declarou Monreal.

O legislador alertou que Donald Trump tem sido um crítico constante do USMCA e apelou à consideração dos benefícios que trouxe às três nações.

Reações da oposição

Héctor Saúl Téllez, vice-coordenador económico do PAN, considerou que a posição dos EUA demonstra falta de antecipação estratégica por parte do governo federal.

“A decisão dos EUA de não prorrogar automaticamente o USMCA por 16 anos na revisão de hoje não é o fim do tratado, mas revela uma falta de antecipação estratégica por parte do governo federal”, afirmou.

Téllez lembrou que o artigo 34.7 do acordo era conhecido desde 2018. Chegar a 1º de julho sem uma prorrogação limpa representa um risco que, segundo ele, deveria ter sido evitado.

A revisão anual permitirá ajustamentos, mas persiste a incerteza sobre o futuro do comércio regional. O México e o Canadá procurarão manter a estabilidade do acordo durante os próximos dez anos.

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